May continua a lutar por seu acordo do Brexit com novo calendário

Por Anna CUENCA
Ativistas disfarçadas como a primeira-ministra britânica, Theresa May (D), e a chanceler alemã, Angela Merkel, protestam contra o Brexit em 21 de março de 2019 em Bruxelas

A primeira-ministra britânica, Theresa May, que conseguiu uma prorrogação condicional de três semanas na UE para conseguir aprovar seu polêmico acordo do Brexit, enviou uma carta nesta sexta-feira aos deputados da Câmara dos Comuns para tentar convencê-los de novamente a seguir sua estratégia.

"Trabalharei arduamente para construir o apoio necessário para que o acordo seja aprovado", afirmou a líder conservadora britânica depois que os líderes dos outros 27 países aceitaram na noite de quinta modificar o calendário de saída.

De acordo com o plano inicial, o Reino Unido deveria abandonar o bloco dentro de uma semana, em 29 de março.

Mas o Tratado de Retirada, um documento de 585 páginas que May negociou durante um ano e meio com Bruxelas, foi rejeitado duas vezes pelos deputados britânicos - em janeiro e na semana passada -, deixando o Reino Unido à beira de uma saída brutal, com potenciais consequências dramáticas para a economia.

Para tentar ajustar a situação caótica, na quinta-feira à noite a UE concedeu a May dois meses de oxigênio.

O Conselho Europeu aceitou o adiamento do Brexit para 22 de maio, um dia antes das eleições europeias. Mas, com o temor de que isto sirva para prolongar a paralisação política em Londres, impôs uma condição: que a Câmara dos Comuns aprove o Acordo de retirada na próxima semana".

Em caso contrário, o "Conselho Europeu aprova uma prorrogação até 12 de abril de 2019 e confia en que, até esta data, o Reino Unido indique uma forma de proceder", destacaram os 27.

Esta segunda data não é trivial, pois neste dia o Reino Unido deve decidir se participará nas eleições de maio para o Parlamento Europeu, o que implicaria a prorrogação de sua presença na UE.

"Até 12 de abril, tudo é possível", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse nesta sexta-feira, enquanto May antecipava seu retorno a Londres para se reunir com seus ministros.

Em seu retorno a Londres, May escreveu aos deputados para explicar os possíveis caminhos para sair do labirinto político.

"Se surgir apoio suficiente e o presidente da Câmara permitir, podemos apresentar o acordo de novo na semana que vem, e se for aprovado podemos sair no dia 22 de maio", lembrou a premiê.

Caso contrário, há outras três possibilidades pela frente, descreveu ela. Uma seria pedir outra extensão à UE, mas significa participar nas eleições europeias.

Outra seria retirar o pedido de saída, "mas isso trairia o resultado do referendo", afirmou.

Finalmente, há a opção mais temida: uma partida abrupta, que os próprios deputados oficialmente rejeitaram em uma votação no início de março.

- Trabalhos difíceis -

May se declarou decidida a fazer "todos os esforços possíveis para garantir que possamos chegar a um acordo e fazer nosso país avançar", afirmou.

A tarefa, no entanto, parece ainda mais difícil depois que May fez duras críticas aos deputados na quarta-feira.

Em uma tentativa de acalmar os ânimos depois de expressar publicamente sua "frustração" com o Parlamento, ela afirmou, em uma espécie de pedido de desculpa: "Sei que os deputados também estão frustrados. Eles têm trabalhos difíceis a fazer. Espero que todos estejamos de acordo, agora estamos no momento da decisão".

Enquanto isso, aumentava a especulação em Londres sobre a possibilidade de a primeira-ministra estar cada vez mais propícia a manter uma série de "votações indicativas" para investigar o que os parlamentares desejam.

"No caso de a Câmara (dos Comuns) rejeitar o acordo, não seria despropositado organizar votações para descobrir o que ela realmente apoia", disse o secretário do Brexit Kwasi Kwarteng aos deputados.

Um petição online viralizou nos últimos dias e recolheu cerca de 3,5 milhões de assinaturas.

Se quiser que seu acordo seja aprovado pelo Parlamento, May ainda tem um longo caminho pela frente

A deputada trabalhista Mary Creagh pediu ao Parlamento que "impeçam agora Theresa May".

"Se necessário, os deputados rejeitarão pela terceira vez seu acordo quebrado do Brexit", disse, antes de convidar a população a participar da manifestação convocada para sábado para exigir um segundo referendo, que poderia anular o Brexit.

No outro lado, Nigel Farage, um dos grandes defensores de uma saída "dura" da UE, voltou a afirmar que o acordo de May "não nos proporciona um verdadeiro Brexit". "De Brexit só tem o nome", afirmou.