Maynara Sant’ana: paraense deu ‘cara nova’ ao seu negócio

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Família Santana. Reprodução/Instagram
Família Santana. Reprodução/Instagram
  • Microempresária paraense deu uma ‘cara nova’ ao negócio de cerâmica herdado pela família

  • Nascida no Norte do país, toca dois negócios, um dos pais e outro desenvolvido com o esposo

  • As ações feitas pelo negócio gerido pelo Art Ato o levou a receber da Câmara Municipal de Belém o Título honorífico de Honra ao Mérito

Os relatos de boa parte dos empreendedores desde o início da pandemia são de dificuldade financeira e necessidade de se reinventar para não precisar fechar as portas. Não é o caso de uma família de Belém, Pará, que toca há mais de 45 anos um negócio de cerâmica. Maynara Sant’ana, o esposo Heitor Sebastian e os pais dela Marylinda e Guilherme Sant’ana viram as vendas crescerem do ano passado para cá e dão hoje uma cara nova ao negócio.

“A pandemia acelerou os processos que naturalmente iriam acontecer. A FSCerâmica aumentou consideravelmente seu volume de vendas. Nós já esperávamos que isso fosse acontecer, pois estávamos abrindo uma loja com uma proposta mais inovadora na rua da cerâmica, mas com a pandemia nós permanecemos de portas fechadas e passamos a vender em nossas redes sociais, fazendo entregas semanalmente via delivery. Foi um sucesso absoluto”, conta Maynara.

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Com mais tempo em casa, as pessoas passaram a construir um espaço mais agradável a partir da decoração. É aí que entra o negócio da Família Sant’ana, com itens em diversos modelos, cores e para todos os gostos. Parte dos produtos como vasos ainda carregam mensagens de motivação.

Mini terrários personalizados com design autoral carregam mensagens sobre a superação da pandemia em 2021. (Foto: Reprodução/Instagram)
Mini terrários personalizados com design autoral carregam mensagens sobre a superação da pandemia em 2021. (Foto: Reprodução/Instagram)

Maynara conheceu Heitor em 2016 e o casal começou a empreender já no ano seguinte, com a criação do Art Ato, que presta serviços ligados à estética, ferramenta de comunicação que, nas palavras da própria microempresária, “faz falar sem abrir a boca”. O negócio de cerâmica da família, no formato como é conhecido atualmente, foi impulsionado também pelas atividades de trabalho do casal. “Nós usávamos os acessórios e os decorativos e utilitários em cerâmica no Art Ato. A galera gostava e pedia para comprar. Já em 2018 quando nos mudamos para um local maior, criamos a galeria de cerâmica, onde promovemos bate papos e comercialização da cerâmica”, detalha Maynara.

“No Art Ato, queríamos criar um local onde pessoas como nós pudessem se sentir bem vindas e seguras sendo quem são. Isso funcionou como espaço colaborativo para receber profissionais de diversas áreas, todos mulheres, negros e LGBTQIA+. Em 2018 iniciamos as nossas atividades de bate papo e eventos culturais concomitante às atividades de serviços e produtos dos nossos colaboradores”, lembra Maynara.

As ações inclusivas realizadas pelo negócio gerido pelo Art Ato o levou a receber da Câmara Municipal de Belém o Título honorífico de Honra ao Mérito por “trabalho desenvolvido no campo do empreendedorismo LGBTQIA+ e Negro na Amazônia”.

“O dinheiro de quem não sabe o meu valor social não me serve”

Apesar de empreender rodeada dos familiares e de pessoas parecidas com si própria, Maynara também enfrentou desafios como qualquer outra mulher negra e do Norte do Brasil. No caso do “mundo dos negócios”, a realidade não é diferente.

"Sempre me questiono sobre os motivos pelos quais existo, enquanto corpo político, sobretudo, uma mulher negra, amazônida, jovem, e toda tatuada no mundo dos negócios. Esses marcadores sociais não definem o meu profissionalismo, mas são fundamentais para quem contrata – ou não – os meus serviços”, descreve.

Hoje a microempresária consegue lidar mais ‘facilmente’ com a discriminação e diz até ficar feliz quando uma pessoa deixa de consumir seus produtos por ser um empreendimento “declaradamente antirracista e antifascista”. “O dinheiro de quem não sabe o meu valor social não me serve. A economia vai muito além da circulação de dinheiro. É uma ferramenta de conexão da humanidade”, pondera.

Hoje, 27 de junho, a Organização das Nações Unidas marca como o Dia das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Para além das empresas e negócios, o Yahoo Finanças preparou uma série com histórias de vida para mostrar os desafios da profissão no Brasil.

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