Mbappé, Haaland... Bastão já passou?

Mauro Beting
·7 minuto de leitura

Ainda não. Já respondo.

Messi e Cristiano seguem em nível absurdo. Não necessariamente os clubes deles.

Mas a cada jogo, a cada gol, Mbappé e Haaland se candidatam a mais um lugar dentro da área e do coração do torcedor planetário.

Haaland praticamente definiu a classificação do Dortmund na primeira etapa na grande vitória na Espanha contra o bom Sevilla (que começou na frente, levou a virada no primeiro tempo, e ainda achou um gol alentador com De Jong, fechando a conta em 3 a 2 para o Borussia). Mas parece pouco para a volta na Alemanha. Ainda mais tendo que encarar esse colosso físico e técnico e ainda muito jovem do tanque de gols norueguês. Uma máquina para fazer gols. E não apenas isso. Como se fosse “apenas” ter a média absurda que tem.

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Cristiano Ronaldo ainda pode celebrar o gol da Juve que diminuiu o prejuízo contra o Porto no Dragão. Onde mais uma saída de jogo mal feita e desnecessária de um mindstet muito condicionado (bitolado?) para toda hora sair jogando apoiado deu no gol português com 2 minutos. Betancourt recuou curto para o goleiro na pequena área... Para quê? Por quê? Tinha opção pela esquerda, no mínimo menos perigosa... Sairia gol da Juve começando com o goleiro acossado pelo atacante rival a dois metros da linha de meta?

Outro exagero que desgasta a causa...

O Porto fez outro gol bem trabalhado por Marega no reinício de jogo deu vantagem importante. Mas ainda não definitiva. O 2 a 1 para o Porto é reversivel.

CR7 ainda pode levar à frente uma errática e inconstante Juve de sistema defensivo discutível como algumas das escolhas de Pirlo.

Mas e o Messi?

Pode ter sido a última partida de Champions do Mejor no Camp Nou. Ao menos vestindo a camisa que é dele desde 2000 quando chegou a Barcelona para encantar como gênio blaugrana desde 16 de outubro de 2004.

Não tinha o parça Neymar lesionado do lado do PSG nesta primeira terça-feira de mata-mata. Talvez eles se juntem a partir da próxima temporada na Paris para onde o adulto Ney se mudou em 2017 de bola e cuia - exatamente depois dos 6 a 1 quando o brasileiro levou o Barça à remontada histórica. Mas só se falava da Pulga na imprensa. Processo que também levou a joia de Mogi a aceitar a proposta do PSG. Para ser o novo Rei Sol.

Ficou só mesmo na corte com o monstro Mbappé. Pensou em voltar para a caliente Catalunha em 2019. Os ultras e até os moderados de Paris queriam que a Bastilha caísse sobre ele. Foi xingado e caçado como se estivesse em campo no campeonato francês... Mas superou as críticas e rivais falando pela bola. Gostou de Paris. Do PSG. Tanto que agora quer de novo se unir a Messi. Mas não mais na velha casa. Na nouvelle maison que comporta todo tipo de napoleões. Até três.

Não sei francês. Não sei se é assim que se escreve.

Mas quando se tem talentos universais como Messi e Neymar, eles dialogam fácil. E chamam Mbappé pra conversa também.

O PSG não tinha o brasuca na ida das oitavas. Nem Di Maria sempre decisivo e importante. As outras ausências não pesam tanto. Ou são compensadas pelas faltas de Araújo na zaga culé (mesmo com o retorno de Piqué, fora desde 21 de novembro). Ansu Fati faz muita falta para abrir o ataque pela esquerda. Coutinho também.

Eram 20h56 locais quando Messi pisou no gramado onde ninguém jogou melhor do que ele - como em muitos céspedes europeus. Olhando para baixo, como quase sempre. Talvez pudesse passar pela cabeça dele o mote desse texto. Mas é provável que uma macrossérie sempre passe por mentes geniais como a dele. Ele já roteirizou tudo, planejou quase tudo, já viu de tudo.

Mas nem sempre as coisas dão Messi. Por mais que ele dê as cartas e bolas. E cada vez mais dê essas bolas aos companheiros. Cada vez mais ele enxerga o jogo todo e o campo. Corre o suficiente. Nem sempre corre. Ou mesmo o suficiente.

E era jogo para fazer mais. Oitavas. O cada vez mais rival PSG. Time jovem, talentoso e promissor precisando ainda mais da condução dele. Em qualquer condição.

E Messi entregou alguns poucos lances messiânicos em uma partida que começou taticamente espelhada no 4-3-3 dos dois lados. Sem a bola, o Barça era um 4-5-1 mais reativo no início. Dembelé aberto pela direita em sua 17a atuação seguida era uma ideia. Griezmann flutuando a partir da esquerda em ótimo momento era outra. Mas uma vez mais era Messi a referência. Sobretudo quando deixava o comando do ataque para organizar os lances. Algo que poderia ter feito mais no primeiro tempo.

Pochettino apostou em Kean aberto pela direita onde rende menos. Melhor seria Sarabia. Se bem que...

E muito melhor quando a bola chegava ao monstruoso Mbappé aberto à esquerda (e podendo e devendo se mexer cada vez mais como joga). Não é só torque e força. É muito futebol. Como, de outro jeito, é (e será ainda mais) Pedri. Talento encantador.

BARCELONA, SPAIN - FEBRUARY 16: Kylian Mbappe of Paris Saint-Germain poses for a photo with the match ball and the player of the match award after the UEFA Champions League Round of 16 match between FC Barcelona and Paris Saint-Germain at Camp Nou on February 16, 2021 in Barcelona, Spain. Sporting stadiums around Spain remain under strict restrictions due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in games being played behind closed doors. (Photo by Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images)
BARCELONA, SPAIN - FEBRUARY 16: Kylian Mbappe of Paris Saint-Germain poses for a photo with the match ball and the player of the match award after the UEFA Champions League Round of 16 match between FC Barcelona and Paris Saint-Germain at Camp Nou on February 16, 2021 in Barcelona, Spain. Sporting stadiums around Spain remain under strict restrictions due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in games being played behind closed doors. (Photo by Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images)

Mas o jogo foi muito estudado e respeitoso até a primeira real chance, aos 13 quando Griezmann parou em Navas, em belíssima enfiada de Pedri Xaviniesta. Icardi teve a dele na sequência.

Até a arbitragem marcar pênalti bem discutível de Kurzawa em De Jong. Eu não marcaria, mas tem como entender que o lateral do PSG impediu que o meia do Barça finalizasse esticando a perna atingida pelo holandês.

Eu não marcaria. Mas Messi, sim. Ele bateu como ele, no ângulo, aos 27. Como Mbappé fez o golaço que só ele parece saber fazer, com imensa frieza e categoria para tão pouca idade, aproveitando passe belíssimo de outro jogador de classe como Verratti, aos 31, numa ótima inversão de Marquinhos no início da jogadaça.

Até o intervalo, quatro chances do dono da casa, cinco do visitante em um primeiro tempo de grande nível.

Mas ainda com pouco de Messi, mais andando que jogando, mais uma vez. Mas não jogando tanto como era necessário, e como ele seguia fazendo nessa retomada de nível do Barça. Até recomeçar o jogo...

A segunda etapa começou com Mabppé quase virando o jogo com 1 minuto. E armando lance sensacional com Icardi e Kean salvo com tempo de reação excepcional do não menosTer Stegen, depois de letra espetacular do argentino, aos 4.

Messi então passou a correr um pouco mais. Aos 12 sofreu uma falta depois de uma caneta. Daquelas que tantas vezes nos últimos anos ele guardou no ângulo - como o pênalti da primeira etapa. Desta vez ficou na barreira.

Mais não lembro de mais uma goleada inesquecível sofrida por um Barcelona que encaixa 12 gols sofridos nos últimos dois jogos eliminatórios em mata-mata europeu (um em campo neutro e agora no Camp Nou).

O jogo deu uma queda física natural. Mas Mbappé não é normal. Aos 19, ele aproveitou cruzamento de Florenzi bem lançado pela direita às costas de Alba e virou o placar. Aos 22 Ter Stegen evitou hat trick. Aos 24, Kean apareceu livre de De Jong no segundo pau para marcar o terceiro.

Só então Koeman mexeu. Para trocar Dest (sem ritmo e comido com farofa e escargot por Mbappé) por Mingueza.

O Barcelona foi pra frente. Mas nem o melhor Messi poderia ajudar. Puig para ajudar a armar no lugar de Piqué, com De Jong na zaga como foi contra oi Alavés. Trincão no ataque também pelo sumido Pedri da etapa final. Pjanic por Busquets - quem sabe na bola parada?

Mas tudo seguiu parado. Ou muito bem encaminhado para o Paris. Como seria no quarto golaço de Mbappé (hat trick dele), em contragolpe fulminante de 3 x 3 (ou 4 x 3 por se tratar de Mbappé) que pode levar o francês além do título da equipe francesa.

O PSG voltou com resultado enorme para casa. E pode levar de lambuja um futuro ainda melhor: todo o passado culé.

Todo Messi.

Todo o presente de Neymar.

E todo o presente de futuro de Mbappé.

MMN!

Hummmmmmm...

(PS: Não participei da transmissão da TNT Sports nos dois dias por motivos de força menor e precauções naturais para o momento. Em breve voltamos. Abraços).