MBL faz congresso pós-eleição e prega escudo a aliados e radicalização nas redes

SÃO PAULO, SP,  05/11/2022 - O MBL (Movimento Brasil Livre) realiza seu 7º Congresso Nacional, no espaço Nos Trilhos, na Mooca, zona leste de São Paulo. (Foto: Karime Xavier / Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 05/11/2022 - O MBL (Movimento Brasil Livre) realiza seu 7º Congresso Nacional, no espaço Nos Trilhos, na Mooca, zona leste de São Paulo. (Foto: Karime Xavier / Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma semana após a eleição, o MBL (Movimento Brasil Livre), que se orgulha de não ter apoiado nem Lula nem Bolsonaro, reuniu militantes em um congresso em São Paulo em torno de três convocações: assumir um projeto de poder, lançar um candidato próprio na eleição de 2026 e radicalizar nas redes sociais.

O deputado federal reeleito Kim Kataguiri (União Brasil-SP) afirmou que será seu último mandato como deputado se o MBL não tiver um candidato à Presidência da República em 2026.

"Saímos desse congresso com um novo Movimento Brasil Livre, que nunca mais vai deixar de disputar uma eleição majoritária. Sempre teremos candidatos, sejam prefeitos e vereadores em 2024 e governadores e um presidente em 2026", afirmou a uma plateia majoritariamente jovem e masculina.

O nome do grupo para 2026 é o do apresentador Danilo Gentili, que compareceu em um painel chamado "Vale dos Cancelados". As camisetas de Gentili 2026 foram o produto mais vendido do evento, que reúne cerca de 1.700 pessoas num espaço de trens centenários em São Paulo.

Além de Gentilli, o governador gaúcho Eduardo Leite (MDB-RS) participa de um debate à tarde. Reeleito, Leite também não declarou voto no segundo turno, embora tenha dito que votaria a favor da democracia.

Renan dos Santos, um dos fundadores do movimento, disse que o MBL precisa assumir um projeto de poder para não fechar. O grupo passou por uma crise profunda com a cassação do deputado estadual Arthur do Val (União Brasil-SP), que teve um áudio sexista vazado durante uma viagem para a Ucrânia.

"Ou o MBL se torna um projeto de poder ou o MBL fecha", afirmou. "Não vou mais aceitar que, enquanto a gente se sacrifica, é cobrado 'ai, e o áudio do Arthur?' Nós somos um time, o Arthur não roubou ninguém. O mandato dele foi impecável. E aí as pessoas vão lá e elegem Nikolas e Carla Zambelli."

Renan disse que é preciso reconhecer erros publicamente, como o que ocorreu com o áudio de Arthur, mas que a militância deve ser um escudo para os políticos do MBL.

"Quantos de vocês não tiveram vergonha de defender o Arthur quando saiu aquela merda daquele áudio? Enquanto isso, um bando de retardado de verde e amarelo defende as coisas mais absurdas do mundo e não têm vergonha de fazer a defesa do projeto de poder deles."

Renan é o nome ideal da militância para uma disputa, embora não tenha projeção fora do movimento.

Para atrair o voto de quem optou pelo bolsonarismo, Pedro D'eyrot, outro fundador e ex-Bonde do Rolê, pregou a necessidade de criar uma linguagem mais simples nas redes sociais, capaz de captar o eleitor menos educado.

"Minhas referências e arcabouço estéticos são mais próximos da do eleitor que votou no PSOL do que na massa que elegeu Bolsonaro. É muito difícil transcender esse ruído e falar na linguagem que o Bolsonaro fala. Precisamos criar uma linguagem de massa", afirmou.

Pedro então pediu uma linguagem "completamente tóxica", sem especificar detalhes, que seja capaz de aniquilar o petismo e o bolsonarismo nas redes.

"Conto com vocês para serem os novos visigodos da internet. Os bárbaros que vão segurar essa onda. E vamos meter porrada memética em todo mundo."

Além de atrações como Leite e Gentili, um boi mecânico com o rosto do comentarista Rodrigo Constantino foi instalado para as pessoas montarem e tirarem fotos nas redes sociais.

Nesta eleição, o MBL reelegeu Kim Kataguiri e elegeu Guto Zacarias (União Brasil-SP) na Assembleia Legislativa de São Paulo. Antes apoiadores do senador eleito Sergio Moro (União Brasil - PR), os membros do MBL anularam o voto.