MC Maneirinho fala de vitória na Justiça após acusação de apologia ao crime: 'uma batalha não só minha, mas do funk todo'

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O arquivamento do processo que investigava suposta apologia ao crime na música "Migué", cantada por MC Maneirinho e MC Cabelinho, veio como um alívio para Maneirinho, que conversou com o EXTRA sobre a sensação de liberdade que o invadiu com o fim desta acusação. A letra da canção aborda sedução, enquanto o ritmo traz uma batida de funk, e o videoclipe mostra um cenário de festa na piscina.

— Quando eu recebi o resultado do arquivamento a sensação foi de alívio e liberdade. A liberdade para eu ser quem eu sou. O Maneirinho nunca se camuflou, nunca mudou o estilo dele para poder chegar em algum lugar. Eu sempre fui eu desde o começo — disse o artista, cuja carreira na música deslanchou em 2013.

Quando a dupla foi intimada pela Justiça em outubro de 2020, o cantor disse que sua primeira reação foi de espanto, seguida de medo, mas ele destacou que ao ter maior conhecimento sobre a investigação, percebeu que aquele obstáculo seria apenas mais uma batalha.

— Uma batalha não só minha, mas do funk todo, porque não é a primeira vez que acontece — afirmou. — Agora tenho aquela sensação de liberdade. A sensação de medo saiu. Agora a sensação é de liberdade de poder fazer o que eu amo do jeito que eu quiser, sem restrições, sem medo, e sensação de alívio mesmo.

A dupla prestou depoimentos no ano passado e desde então aguardou a decisão, que por fim foi tomada no último dia 9, pela juíza Maria Tereza Donatti, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), após um parecer da promotora Renata Silvares França Fadel.

Durante esse período de espera, MC Maneirinho, nascido e criado na comunidade do Serrão, em Niterói, contou que se sentiu bastante afetado pelo processo e que isso acabou limitando sua capacidade de produção musical.

— A intimação me afetou muito, tanto meu lado pessoal quanto o profissional. No lado pessoal, como pai, sabendo que estou sendo acusado por uma coisa ligada ao crime, que eu não tenho nada a ver com isso, sou apenas um interpretador de milhares de coisas que acontecem, não só no crime, mas em felicidade, vitória, superação, mulheres, amor. Eu tenho a liberdade de expressão de poder cantar tudo que eu quero, entendeu? Então isso, pô, com certeza me limitou ali na hora de eu querer criar uma coisa maneira, colocar umas coisas que eu estou acostumado a colocar. Aquilo ali me limitava. Enquanto estava rolando essa parada, eu tive medo de lançar várias músicas, vários projetos. Até mesmo projetos visuais mesmo.

Apesar da preocupação gerada pela investigação, MC Maneirinho também passou por sensações positivas, como o sentimento de gratidão pelo apoio de várias pessoas que ele recebeu durante todo o processo.

— As pessoas que me deram força foram meus fãs, minha família, os amigos da música, principalmente a galera do funk, do rap — disse o cantor.

Entre os artistas que demonstraram apoio, MC Maneirinho destacou a cantora Anitta, dizendo ter ficado feliz ao ver que ela se manifestou a seu favor.

— Ela veio do mesmo lugar que a gente e ela conhece bem os preconceitos. Ela é uma pessoa que sofre preconceito até hoje. É uma pessoa que ajudou muito o funk a ter essa liberdade que tem hoje, por ter peitado esses tipos de pessoas que entram no nosso caminho — explicou.

Segundo o advogado de Maneirinho, Paulo Joiozo, “a música somente teve a intenção de mostrar a realidade das favelas no Brasil e que a letra não faz menção a nenhum fato criminoso e se restringe a narrar uma situação hipotética e indeterminada”.

Agora com a leveza de se ver livre para lançar música com seu próprio estilo, o cantor mostrou-se inspirado para abordar assuntos diversos em canções, acrescentando que sua vontade de é de passar sensação de "paz e liberdade" para o ouvinte.

— Música é como um filme, teatro. É arte. Então não pode escutar uma música e querer viver o que está naquela música. De alguma maneira, a música vai te tocar de uma forma, porque a música é espírito. Ela tem energia, ela vai te tocar e você, como qualquer coisa na vida, abraça as coisas positivas. A mensagem que eu deixo para a galera é que o Maneirinho vai chegar sempre com diversos temas. Só que os temas que eu quero que sejam mais abraçados pela galera com certeza são os temas de superação — disse, acrescentando que também curte falar sobre de amor, traição, que "Maneirinho é o cara", que "ele tem dinheiro" ou de quando era pobre. — Maneirinho vai falar de diversos temas, porque música é isso, é liberdade. Se eu sou um cara que fala de liberdade na música eu não posso ter, como é que se fala, regras na hora de gravar, entendeu?

O nome artístico de Maneirinho, acompanhado do MC, que significa mestre de cerimônias, surgiu aos 18 anos, junto com uma carreira profissional marcada pelos sucessos “Todo Mundo Louco”, “Chefe é chefe”, “Que saudade da minha ex”, “Tudo Normal”, “Mamãe quero ir pra Gaiola”, “Depois do Baile”, “Amiga Fura Olho” entre outros.

Para o artista, a indicação ao Grammy Latino de Melhor Interpretação Urbana, por “Pra Todas Elas”, em 2016, um feat com a cantora Anitta e produzida pelo DJ Tubarão, abriu ainda mais as portas para o funk no mercado internacional. Atualmente, ele já soma mais de 70 milhões de streams e mais de 800 mil ouvintes mensais só no Spotify.

Quanto ao sucesso, Maneirinho mostrou muita gratidão aos fãs, que impulsionaram sua música nas plataformas digitais como forma de apoiá-lo durante o períoda da investigação.

— A mensagem que eu quero passar para meus fãs é de que estamos juntos até o final, mas o principal mesmo (que quero dizer) é agradecer. Os fãs levantaram lá (as visualizações), agradecer pelos números que eu consegui atingir depois disso (acusação) — afirmou. — O que posso fazer é retribuir com muita música boa daqui pra frente.

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