MDB antecipa reunião para definir candidato ao Senado após cinco siglas anunciarem apoio a Pacheco

Julia Lindner
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Editoria de Arte

BRASÍLIA - Após o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato apoiado pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), conquistar o apoio de cinco partidos em uma semana, o MDB decidiu antecipar para esta terça-feira a reunião que vai definir o representante da bancada na disputa. A escolha deve ficar entre os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Simone Tebet (MDB-MS). Emedebistas esperam que haja um acordo entre os dois para evitar a imagem de divisão interna. O escolhido entrará na disputa com o discurso de independência em relação ao Executivo.

De acordo com um integrante do MDB, é preciso "agilizar" a decisão sobre a candidatura da sigla como forma de reação aos avanços do DEM. A nova antecipação do encontro foi definida após o PT, com cinco parlamentares, formalizar o apoio a Pacheco mesmo diante de apelo feito pelo líder do MDB, Eduardo Braga, para que os senadores petistas aguardassem mais alguns dias. Segundo pessoas que acompanham as negociações, além de ganhar espaço na Mesa Diretora, a bancada do PT negociou o comando da Comissão de Direitos Humanos (CDH) e da Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Até o momento, o candidato do DEM também reúne manifestações favoráveis do PSD, Republicanos, Pros e PSC, além de ser apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro nos bastidores. A expectativa é de que Pacheco receba outras manifestações favoráveis do PL, PDT e PP nos próximos dias. O MDB, por sua vez, aposta suas fichas em legendas como Podemos, no PSDB e na Rede. Parte dos senadores dessas siglas compõem o movimento independente Muda Senado, mais simpáticos ao nome de Simone Tebet.

O apoio de Bolsonaro a Pacheco foi comunicado ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), na última sexta-feira. Bezerra ainda nutria espeanças de disputar o comando da Casa, mas desde o início enfrentava dificuldades por ter o carimbo do Palácio do Planalto. Sem o endosso do presidente da República, que mantém boa relação com Davi Alcolumbre, qualquer tentativa deste tipo se tornou insustentável para Bezerra. O mesmo vale para o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO).

Na terça-feira, às 15 horas, o MDB prepara uma cerimônia para a filiação de dois novos integrantes, a senadora Rose de Freitas, ex-Podemos, e Veneziano Vital do Rêgo, ex-PSB. Com isso, a maior bancada da Casa passará de 13 para 15 senadores. O partido defende a tese da proporcionalidade, segundo a qual a sigla com mais parlamentares deve comandar o Senado. Pela mesma tese, a distribuição em cargos nas comissões também acompanharia os partidos de acordo com a sua distribuição.