MDB anuncia que terá candidato à presidência do Senado, mas não decide nome

Julia Lindner
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BRASÍLIA - Disposto a brigar pela tese da proporcionalidade, segundo a qual o maior partido ganha o comando do Senado, o MDB formalizou nesta quarta-feira que terá candidato próprio à presidência da Casa. Apesar do discurso de que irá unido para a disputa, o partido ainda não possui consenso sobre quem será o representante da legenda - o que só deve ocorrer em janeiro do ano que vem. Pleiteiam a vaga a senadora Simone Tebet (MS), o líder da bancada, Eduardo Braga (AM), e os líderes do governo no Senado, Fernando Bezerra (PE), e no Congresso, Eduardo Gomes (TO).

"Com o maior número de parlamentares no Senado Federal, a bancada está pronta e unida para assumir a responsabilidade e os compromissos que lhe cabem na eleição para o comando da Casa, em 2021. O momento exige bom senso e maturidade política. O respeito ao diálogo e à dimensão das bancadas é particularmente importante para garantir a condução equilibrada de uma pauta de reconstrução do país, após esse período tão difícil que o Brasil enfrente", diz trecho da nota divulgada pela bancada do MDB.

Na carta, os emedebistas também reforçam o compromisso com "uma agenda de reformas estruturais, a responsabilidade fiscal, a redução das desigualdades sociais e um amplo programa nacional de vacinação contra a Covid-19".

"O partido seguirá unido na busca de soluções para enfrentar a atual crise, fomentar a geração de empregos e assegurar a retomada do desenvolvimento", continua o texto. "Foi com essa covicção que a Bancada do MDB decidiu pelo consenso interno, comprometendo-se a dialogar com todas as Bancadas para apresentar um candidato único do partido para a sucessão da Presidência do Senado."

Integrantes da sigla admitem que foram pegos de surpresa pela articulação do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), logo após a sua reeleição ser barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo dia em que soube da derrota no Supremo, Alcolumbre iniciou as tratativas para tentar fazer Rodrigo Pacheco (DEM-MG), senador em primeiro mandato, o seu sucessor. Na semana passada, ele buscou outras legendas, como PP e PSD, para costurar uma aliança consistente, além do Palácio do Planalto.

Agora, de acordo com emedebistas, o partido intensificou uma reação à ofensiva de Alcolumbre. Nos bastidores, a sigla busca o apoio de algumas das maiores legendas da Casa, como PSD e Podemos, que ainda não decidiram qual rumo tomar. O argumento usado pelo MDB é que a eleição do candidato da maior bancada garante menos interferência externa no processo. Também alegam que o candidato do atual presidente do Senado é apoiado pelo governo, o que vai interferir na independência da Casa, além de poder influenciar na disputa para 2022.

- Ora, para que serve o Senado Federal se ele virar daqui para frente uma Casa facilmente manipulada e controlada pelo Executivo? Nós só somos 81 senadores, não é difícil reunir maioria e conseguir o Executivo sempre eleger o presidente do Senado aqui dentro. O que está em jogo é algo muito maior - disse a senadora Simone Tebet, uma das candidatas do MDB.

- Resolvemos, então, unir esforços para tentar acabar com qualquer tentativa de transformar o Senado em uma Casa que seria parecida com a Câmara, onde o balcão de negócios estaria aberto. Esse balcão de negócios nos assustou e assustou também alguns colegas (...) Aquela sensação de que o jogo já estava jogado, isso rapidamente foi debelado em 24 horas, houve uma movimentação muito forte dentro do Senado com outras bancadas que perceberam que o projeto do Davi, por mais que gostemos dele, representaria a perda da independência do Senado - declarou a parlamentar.

Pelo acordo firmado hoje, os quatro senadores do MDB interessados no comando do Senado poderão tentar viabilizar as suas respectivas candidaturas até a segunda quinzena de janeiro. Depois, em 21 de janeiro, devem se reunir mais uma vez para verificar qual deles possui pelo menos 41 votos de apoio (maioria da Casa) para se tornar oficialmente o candidato da sigla.