MDB descarta abandonar candidatura no Senado para impulsionar Rossi na Câmara

RENATO MACHADO
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  07.10.2019 - Baleia Rossi conversa com Rodrigo Maia. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 07.10.2019 - Baleia Rossi conversa com Rodrigo Maia. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A bancada do MDB no Senado refuta a hipótese de abandonar sua candidatura à Presidência da Casa em um eventual acerto para aumentar o apoio a Baleia Rossi (MDB-SP) em disputa na Câmara.

Nesta quarta-feira (23), Rossi foi oficializado como candidato do bloco articulado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que reuniu partidos antagônicos ideologicamente, como MDB, DEM, PSDB, PV, PSB, PT, PSL, PDT, PC do B, Rede e Cidadania.

Rossi vai enfrentar o candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Arthur Lira (PP-AL).

A bancada no MDB no Senado afirma que não haverá problemas, ou eventual rejeição das demais agremiações na próxima eleição, com a possibilidade de liderança do partido nas duas Casas legislativas.

Os senadores também descartam abrir mão da candidatura para impulsionar a candidatura de Baleia Rossi, em um eventual acordo.

Na semana passada, após uma reunião da bancada, o MDB decidiu lançar uma candidatura única para a presidência do Senado.

O MDB tem atualmente 13 senadores em sua bancada, que deve aumentar nos próximos dias. O senador Veneziano Vital do Rêgo anunciou nesta quarta-feira que deixou o PSB e seu rumo muito possivelmente será o MDB.

"São razões distintas [a candidatura no Senado e a de Baleia Rossi]. O que nós estamos tentando fazer é uma relação republicana, impessoal para a construção de uma forma e uma regra de atuação de todos os senadores de forma igualitária no Senado", afirmou à reportagem o líder da bancada do MDB no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM).

"Portanto o MDB fechou questão dentro da sua bancada por uma candidatura única do partido e estabelecer diálogos respeitando a dimensão de cada bancada para a construção de uma maioria no Senado. São critérios e metodologias completamente diferentes", disse.

Braga é um dos pré-candidatos do partido, ao lado de Eduardo Gomes (TO), Simone Tebet (MS) e Fernando Bezerra Coelho (PE).

O líder da bancada no Senado também afirmou que as articulações devem acontecer de maneira separada na Câmara e no Senado, sem interferências.

"Nós não estamos interferindo na eleição da Câmara e esperamos que a Câmara não interfira na eleição no Senado", afirmou.

"O que nós estamos defendendo é que, até por sermos a bancada mais numerosa do Senado, nós estamos defendendo juntamente com as outras bancadas, um critério para dar oportunidade a todos."

A posição é compartilhada com outra pré-candidata do partido no Senado, Simone Tebet.

"Não muda nada no Senado [a indicação de Baleia Rossi]. São duas Casas independentes. Ganha a Câmara, com um candidato de perfil conciliador, equilibrado, capaz de reunir em torno de si uma maioria preparada para os desafios que virão", afirmou.

Senadores de outros partidos, no entanto, afirmam que a principal eleição vai se dar na Câmara e que o processo no Senado irá "a reboque".

Um líder partidário, que falou sob a condição de anonimato, pois sua bancada negocia apoio no Senado, disse que a disputa na Câmara vai atrair todos os esforços, pois se trata de uma queda de braço entre o governo federal e um grupo de oposição.

Esse senador argumentou que, para o Palácio do Planalto, a eleição do Senado não gera grandes preocupações, pois os principais partidos apresentam algum alinhamento com o governo. Por isso, explicou, todas as cartas serão postas à mesa quando a eleição na Câmara começar a esquentar.

Ao contrário da Câmara, o Senado vai terminar o ano sem uma definição mais clara de quem serão os candidatos à presidência da Casa.

Os fatos das últimas semanas indicam que será um embate entre o MDB contra o grupo do atual presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP). Informalmente, Alcolumbre lançou para a sua sucessão Rodrigo Pacheco (DEM-MG), mas seu nome perdeu força nos últimos dias.

Nos bastidores, comenta-se que Bolsonaro teria desistido de apoiar Pacheco. Um possível sinal da ruptura do presidente com o grupo de Alcolumbre pode ter sido a renúncia de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na terça-feira (22), ao cargo de terceiro-secretário da Mesa Diretora.

O anúncio da saída acontece pouco mais de um mês antes do término do mandato da Presidência e da Mesa do Senado.