MDB encolhe no Rio e é ultrapassado pelo PSC

Rafael Galdo
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Foto: Infoglobo
Foto: Infoglobo

O mosaico partidário nos municípios do Rio a partir do resultado das urnas indica uma reordenação de forças onde, nos últimos anos, quem sobressaía era o MDB. Assolado pelos escândalos de corrupção nos governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão e também envolvendo parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o partido foi o que mais encolheu no estado em termos de prefeituras conquistadas: foram apenas seis até agora, 70% a menos que as 20 do pleito de 2016.

Enquanto isso, outras siglas avançaram, como o PSC, do governador em exercício Cláudio Castro, e o DEM, que ainda tem Eduardo Paes na disputa do 2º turno na capital.

Em relação a 2016, o MDB perdeu cidades importantes do interior, como Macaé e Rio das Ostras. Alguns de seus eleitos quatro anos atrás, porém, já haviam deixado o partido com a derrocada de caciques como Cabral e Jorge Picciani. Quatro prefeitos vencedores pelo MDB em 2016 agora se reelegeram por outros partidos, a exemplo de Rodrigo Drable, em Barra Mansa, atualmente no DEM.

Os êxitos dos emedebistas ficaram por conta da manutenção da hegemonia na Costa Verde, em Paraty e Angra dos Reis; da vitória em três dos municípios menos populosos do interior (Comendador Levy Gasparian, Duas Barras e São José de Ubá); e da reeleição de Waguinho, em Belford Roxo. Também na Baixada, a principal peça do tabuleiro do MDB, no entanto, é Washington Reis, que conseguiu votos para se reeleger em Duque de Caxias, mas está com a conquista sub judice, enquanto recorre de uma decisão do TRE-RJ que indeferiu seu registro.

O partido que aparece na liderança é o PSC, que tinha saído zerado em 2016 e agora já tem onze cidades garantidas — Teresópolis é a mais importante delas —, além de concorrer no segundo turno em São João de Meriti. O partido angariou políticos importantes pelo interior na esteira da vitória de Wilson Witzel para o governo estadual em 2018. Hoje, Witzel está afastado do cargo e o chefe do PSC, Pastor Everaldo, está preso.

O ex-senador Marcondes Gadelha, que assumiu a presidência do PSC após a prisão de Pastor Everaldo, diz que as pautas defendidas pelo partido “têm uma aderência firme na média da população”:

— São bandeiras como a defesa da família e a posição contra a legalização das drogas. A prisão do Everaldo e o afastamento de Witzel são episódios difíceis para qualquer partido, mas nos apegamos à base ideológica.

Partidos do centrão, o PL, com nove prefeituras até agora, e o PP, com oito, também podem chegar, cada um, a 11 municípios após o segundo turno e as análises das candidaturas com pendências judiciais. De qualquer forma, o PP vai diminuir sua abrangência. Quatro anos atrás, a sigla havia levado 19 municípios. Já o PL cresceu: em 2016, tinha eleito sete prefeitos.

Solidariedade (com nove cidades garantidas), DEM (com sete) e Republicanos (com cinco) também estão entre os que aumentaram sua influência no estado. Já o PDT garantiu quatro prefeituras, incluindo Niterói, com Axel Grael, e vai disputar o segundo turno em Campos dos Goytacazes. O PT, por sua vez, reelegeu Fabiano Horta em Maricá, com 88% dos votos, e vai para o segundo turno em São Gonçalo, com Dimas Gadelha.

Ao todo, 80 dos 92 municípios já definiram seus prefeitos — 19 partidos estão representados. Um vigésimo, o PSB, pode entrar na lista, caso Rubens Bomtempo saia vitorioso em Petrópolis — há quatro anos, no entanto, o partido havia vencido em seis cidades. Este ano, teve insucessos como o do candidato à reeleição de Cachoeiras de Macacu, Mauro Soares, campeão de rejeição no Rio: ele teve apenas 404 votos (1,25% do total).