MDB indica que integrará transição de Lula, que terá até 33 grupos de trabalho

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), indicou nesta terça-feira (8) que o partido irá fazer parte da equipe de transição do governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Eu posso dizer que há um espírito colaborativo muito grande no MDB. Já tenho feito conversas e tenho a convicção de que o MDB estará participando dessas discussões", disse Baleia, após encontro com a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

A expectativa é que o MDB apresente os nomes a representar o partido até esta quarta (9), além da senadora Simone Tebet (MS), que já foi anunciada pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB).

Integrantes do PT e do MDB afirmam que há interesse de ambos os lados para que o partido de Baleia tenha mais vagas na transição do que o anteriormente previsto. É possível que o MDB ocupe até quatro posições.

Em 2016, durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os dois partidos romperam. Na campanha eleitoral, Lula chamou o ex-presidente Michel Temer (MDB) de golpista.

Na semana passada, Gleisi havia conversado por telefone com o presidente do MDB e convidado o partido a apresentar uma indicação para o grupo de transição, que formalmente será composto por 50 pessoas.

A presidente do PT informou ainda que a equipe de transição será dividida em 32 ou 33 grupos de trabalho. Cada um cuidará de um tema.

A previsão é que alguns integrantes da equipe sejam anunciados nesta terça ou quarta. Com isso, o grupo deve se instalar no espaço montado no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) de Brasília, a sede do governo de transição.

Nas conversas com o PT, Baleia pediu prioridade à reforma tributária. Ele patrocinou uma proposta de reestruturação do sistema tributário, que está parada na Câmara.

Apesar de indicar com a aliança com o PT na transição, o MDB ainda aguarda para embarcar no governo do presidente eleito Lula.

Terceira colocada na corrida presidencial, Simone Tebet se alinhou a Lula no segundo turno, viajou com o presidente eleito e apresentou propostas para o novo governo. Ela é cotada para ocupar um ministério de Lula.

"Essa é uma discussão [formar um bloco com o PT] que vai ocorrer nas bancadas", declarou Baleia.

"É uma discussão que cabe ao Congresso Nacional. Obviamente que nós gostaríamos de contar com o apoio do MDB no processo de governança", afirmou Gleisi.

O primeiro desafio de Lula é a aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que abrirá espaço no Orçamento para promessas de campanha de Lula, como a manutenção do valor mínimo de R$ 600 para o Auxílio Brasil (que será rebatizado de Bolsa Família), o benefício adicional de R$ 150 para crianças menores de seis anos e o aumento real (acima da inflação) do salário mínimo.

O MDB também sinalizou que irá apoiar a proposta. "Entendo que todos nós temos que trabalhar para que haja o cumprimento de compromissos de campanha", disse Baleia.

Gleisi informou que, nesta semana, pretende reunir os partidos aliados para discutir medidas contra os protestos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula. A mobilização golpista perdeu força nos últimos dias, mas o PT quer uma resposta política ao movimento.

"Não dá para a gente achar que isso é normal. As pessoas em frente aos quartéis, elevarem o tom e pedirem intervenção militar, a questão das estradas [que foram bloqueadas]. O país não precisa disso", disse a presidente do partido. "A oposição não tem direito de chamar para um golpe", completou.