MDB reage contra possível indicação de Davi Alcolumbre para a CCJ do Senado

Julia Lindner
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A escolha para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado também gera tensões, assim como na Câmara. A possibilidade de o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) assumir o colegiado abriu uma crise entre o novo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), e parte da bancada do MDB. Alguns emedebistas alegam que, por representarem a maior bancada, com 15 parlamentares, deveriam ficar com o colegiado mais relevante.

“A estrela de Davi Alcolumbre reluziu nos 2 anos no Senado. Para o brilho não se tornar opaco, é prudente que abdique da síndrome de Golias, do gigantismo dos filisteus. A CCJ será o estilingue nos olhos do presidente Rodrigo Pacheco, uma confrontação e divisão de poder ilógicas”, escreveu o senador Renan Calheiros (MDB-AL) nas redes sociais.

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Segundo aliados de Alcolumbre, no entanto, ele continua disposto a assumir o cargo, por acreditar que a posição de Renan está isolada na bancada do MDB. Além disso, pessoas próximas ao senador do DEM afirmam que ele chegou a oferecer a CCJ aos emedebistas no final do ano passado, caso aceitassem apoiar Pacheco, mas eles optaram por lançar Simone Tebet (MDB-MS).

Para Rose de Freitas (MDB-ES), não é possível criticar Alcolumbre por pleitear a presidência da CCJ após liderar a campanha de Pacheco:

— Faltou um bom diálogo para o MDB. Eu defendo a proporcionalidade, mas não posso criticar uma articulação da qual o MDB poderia ter participado desde o início e não participou — disse a senadora.

Na reta final da eleição, o MDB desembarcou da candidatura de Simone — que seguiu de forma independente — para liberar a bancada e fazer uma aliança informal com o DEM. Os emedebistas esperavam assumir a vice-presidência, a Segunda Secretaria e a CCJ, mas só conquistaram a vice após disputa em plenário e receberam a promessa de ocupar as comissões de Educação e Infraestrutura.