“Me chamou de preto desgraçado”, diz motorista por aplicativo vítima de injúria racial em Salvador

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Era por volta das 12 horas da tarde da terça-feira (6) quando o motorista por aplicativo Noelson Morais atendeu uma corrida em frente a um shopping de Salvador, no bairro do Iguatemi. No carro, uma passageira e uma criança. Em determinado ponto, a passageira pediu que ele cometesse uma infração de trânsito para chegar ao destino final. Desconfortável, o motorista recusou o pedido e a situação foi o suficiente para a passageira disparar: “Desgraçado, preto!”.

Em entrevista ao Alma Preta, o motorista Noelson Morais, vítima de injúria racial, contou que a passageira não gostou de ser contrariada ao pedir para ele fizesse uma “roubadinha” para levá-la mais rápido ao destino dela. Com as ofensas, ele disse que decidiu deixá-la no mesmo local onde iniciou a corrida. Um vídeo mostra o momento em que ele deixa a passageira e ela diz: "Apesar de você não me levar no endereço, você ainda ganhou o dinheiro", logo após, Noelson rebate: “Não vou ganhar, não”.

"Eu me recusei e ela começou a contestar a minha decisão. E aí foi quando eu retornei para frente do shopping e falei: "Senhora, vou lhe deixar de onde eu lhe tirei e a senhora chama outro Uber para fazer a mesma coisa". Foi quando ela começou a me ofender, me xingar, me chamou de merda, de um preto desgraçado e o menino começou a me xingar também", conta o profissional. 

Noelson disse que se sentiu um “lixo”, não conseguiu dormir direito e ainda não voltou a trabalhar. Ele prestou uma queixa de crime de injúria racial na 16ª Delegacia de Polícia Civil.

"Eu não consegui nem voltar a dirigir. Eu não estou conseguindo trabalhar, estou sem dormir direito. Eu vou deixar a cabeça relaxar pra tentar voltar a trabalhar", desabafa.

Denúncia

Em nota enviada ao Alma Preta, a 16ª DP informou que investiga o caso e que vai solicitar o nome da passageira para prosseguir com a apuração.

"Conforme o relato da vítima, uma mulher pediu que ele cometesse uma infração de trânsito, na recusa, passou a proferir ataques racistas contra ele. Será solicitado o nome da usuária à plataforma do aplicativo".

Segundo o motorista, uma ocorrência também foi aberta na plataforma da Uber, no entanto, ele disse que a empresa ainda não ofereceu nenhum suporte.

O Alma Preta entrou em contato com a Uber, que informou que a conta da usuária que aparece no vídeo foi desativada. Em nota, a empresa também destacou que adota ações de prevenção aos crimes raciais e pontuou iniciativas de combate ao racismo para os colaboradores e passageiros. A Uber alegou qeu possui uma politica de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens pelo aplicativo" e que a conta da usuária em questão foi desativada da plataforma após a denúncia do motorista.

"Como parte desses esforços, a Uber lançou, por exemplo, o podcast Fala Parceiro de Respeito, em parceria com a Promundo, com conteúdos educativos sobre racismo. Além disso, em parceria com as advogadas da deFEMde, a empresa revisou o processo de atendimento na plataforma, a fim de facilitar as denúncias de racismo e acolher melhor o relato da vítima", dizia a nota. Apesar das políticas, a empresa não ofereceu assistência jurídica para o motorista.

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