'Me ofereceu R$ 2 mil para sair com ele', diz advogada assediada por policial penal

In this photo illustration being displayed one hundred and two hundred reais bills and a one reais coin highlighted. The Real is the current money in Brazil.
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Jéssica Rodrigues, uma das advogadas assediadas por um policial penal que trabalha na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL 2), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, afirmou nesta quinta-feira (3), que o servidor ofereceu R$ 2 mil para ela sair com ele.

Segundo relatos da advogada em entrevista à TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará, o agente a convidou para jantar e disse que daria o dinheiro caso ela fizesse um programa com ela.

"Ele perguntou se eu queria sair para jantar com ele e eu disse que não. Foi quando ele baixou o nível: 'Eu quero sair com você, eu pago R$ 2 mil pelo programa.' Eu disse: 'Olha, você está confundindo as coisas, eu não sou garota de programa, eu sou advogada", afirmou Jéssica.

Ainda segundo a advogada, ela recebeu uma ligação e pensava que ele queria atendimento jurídico.

"Eu recebi uma ligação de número confidencial, até aí eu já achei estranho, até aí eu atendi. Quando eu atendi a ligação, ele me disse 'estou precisando do seu atendimento'. Obviamente eu sou advogada, eu achei que ele quisesse um atendimento jurídico. Eu disse 'sim, pode falar'", afirmou.

O caso

Uma advogada que trabalha na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL 2), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, denunciou um policial penal por assédio sexual após ter acesso ilegal a seu contato.

Além da advogada, outras duas profissionais que atuam no mesmo local relataram ter passado por situações parecidas.

De acordo com relatos das mulheres, o homem ligava de um número restrito para elas e também mandava mensagens através de um perfil falso nas redes sociais.

Uma das vítimas, relatou que os episódios de assédio eram frequentes e aconteciam há um ano. Mesmo período em que as outras vítimas foram assediadas pela primeira vez.

Segundo uma das profissionais disse que o suspeito ligou em um dia mais de 30 vezes.

“Nas ligações, o interlocutor falava diversas imoralidades, que estava se ‘masturbando’, que ia fazer isso e aquilo comigo. De início eu esculhambava, pedia para me deixar em paz. No entanto, ele insistia chegando a ligar mais de 30 vezes. Essa situação não parou, pelo contrário, foi se agravando”, relatou a vítima, em conversa com o portal G1 que que preferiu não ser identificada.

O homem só foi identificado, após a vítima conseguir convencer o suspeito a realizar uma videochamada, na segunda-feira (31), e capturar a imagem do rosto do homem, posteriormente identificado como agente penitenciário da unidade prisional que fica na região Metropolitana de Fortaleza.

O policial penal aceitou a videochamada após a mulher fingir que estava interessada nas propostas dele.

“Agi por conta própria para tentar identificar o assediador e desta forma fingi que queria e pedi a ele para fazer uma chamada de vídeo. Consegui então a foto e hoje buscamos os órgãos competentes para punir o agressor. Ainda estou muito abalada, pois as palavras de assédio são de extremo grau de ofensa, imoralidades e ainda pelo visível grau de descaso que o agente apresenta, demonstrando não temer a justiça e agindo como um maníaco sexual”, complementou a vítima.

Raphaele Farrapo, advogada que representa uma das vítimas, explicou como o suspeito agia com a cliente.

“Toda vez que ela saía para realizar os atendimentos penitenciários, acontecia essas ligações com palavras do mais baixo calão possível. Perguntando quanto era o 'programa' dela, dizendo que ela estava muito linda com roupa tal. Aí ela começou a observar [como acontecia]”, disse a advogada.

A cliente de Raphaele, disse que identificou o local onde o suspeito trabalhava quando recebeu uma ligação em que o homem comentava sobre a roupa que ela usava. Segundo a advogada, neste dia a vítima usou a vestimenta para ir exclusivamente à CPPL II.

As demais vítimas foram descobertas após o caso ser relatado em um grupo de aplicativo de mensagens, onde estão outras advogadas e elas terem notado similaridade dos casos.

As vítimas desconfiam que o homem teve acesso aos números delas que constam no sistema da SAP, já que trabalham nas unidades prisionais do estado

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que denúncias contra agentes públicos do sistema prisional são encaminhadas à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) para que sejam apuradas e assim tomadas as devidas providências.

Em nota, a Controladoria Geral de Disciplina informa que o caso é investigado. "Diligências estão em andamento para apuração dos fatos. O caso segue em sigilo pela natureza dos fatos e a intimidade da vítima", diz o órgão. "A Controladoria determinou, ainda, a instauração de procedimento administrativo disciplinar", acrescenta.