Meca se prepara para receber número limitado de peregrinos

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Membros da equipe médica do Ministério Saudita do Haje aguardam o primeiro grupo de peregrinos no Aeroporto Internacional de Jidá

A Arábia Saudita sediará, a partir de quarta-feira (29), o haje, a grande peregrinação de muçulmanos a Meca, mas com um número reduzido de peregrinos devido à pandemia de coronavírus, fato inédito em tempos contemporâneos.

Apenas 10.000 sauditas e outros residentes estrangeiros no reino wahhabi poderão realizar o haje este ano, um dos cinco pilares do Islã.

No ano passado, cerca de 2,5 milhões de muçulmanos completaram a grande peregrinação, muitos deles oriundos de outros países.

A imprensa estrangeira também não poderá cobrir esse evento, já que as autoridades sauditas restringiram o acesso à cidade sagrada aos muçulmanos.

O número de pessoas infectadas com COVID-19 no mundo superou, no domingo (26), 16 milhões, das quais 260.000 na Arábia Saudita.

Os peregrinos, protegidos por máscaras, começaram a chegar no final de semana em Meca, onde foram submetidos a verificações de temperatura e isolamento, segundo as autoridades.

Também receberam um kit que incluía pedras esterilizadas para o ritual de apedrejamento, álcool em gel, máscaras, um tapete de oração e um ihram, a túnica branca sem costura que os peregrinos devem usar, de acordo com um documento do ministério do Haje.

Os peregrinos também deverão ser testados para o coronavírus antes de chegar à cidade santa e ficarão em quarentena após a peregrinação.

O governo saudita garantiu que preparou vários centros de saúde, clínicas móveis e ambulâncias para garantir a saúde dos peregrinos, que deverão respeitar as distâncias de segurança.

- Seleção 'opaca' -

Nas últimas semanas, as autoridades receberam uma onda de perguntas e críticas no Twitter daqueles que tiveram negado o acesso a Meca este ano, depois de uma seleção considerada por alguns como "opaca".

A escolha dos peregrinos foi baseada em "razões de saúde", defendeu o ministro do Haje, Mohamad Benten, em declarações à rede saudita Al-Arabiya, na qual descreveu o processo como transparente.

Muçulmanos de 160 países diferentes participaram de um sorteio organizado pelo governo saudita.

"Esse sentimento é indescritível", comentou à AFP Nasser, um nigeriano residente em Riade, escolhido para fazer o haje.

Os peregrinos sauditas foram escolhidos entre um grupo de militares e profissionais da saúde que contraíram a COVID-19, mas que já se recuperaram, de acordo com as autoridades.

Os estrangeiros enviaram suas inscrições on-line e Riade prometeu representar 70% dos peregrinos, embora não tenha indicado o número de candidatos e pessoas selecionadas.

A pandemia pode ter um forte impacto econômico na Arábia Saudita, onde o turismo religioso gera cerca de 12 bilhões de dólares (10,6 bilhões de euros) a cada ano.

Após a queda do preço do petróleo e a paralisia da atividade econômica, Riade adotou medidas de austeridade, como cortes no orçamento, suspensão da assistência social e triplicação do IVA.

"A limitação do haje aos residentes (na Arábia Saudita) representa um custo substancial, mas que a economia pode suportar", acredita Sofia Meranto, analista do Eurasia Group.

Meranto lembra que Riade espera recuperar uma parte da renda perdida por meio da umra, a pequena peregrinação que teve que ser suspensa em março, mas que pode ser realizada em qualquer época do ano.

Meca sofreu um boom imobiliário nos últimos anos com a construção de shopping centers, casas e hotéis de luxo.

Mas a maioria desses lugares ficou deserta com a pandemia, que afetou inúmeras empresas do setor de turismo saudita, das quais centenas de milhares de trabalhadores dependem.

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