Médica defensora da hidroxicloroquina diz ter sido suspensa pelo hospital Albert Einstein

Colaboradores Yahoo Notícias
·4 minuto de leitura
A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi.
A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi.

A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi afirmou ter sido suspensa pelo Hospital Israelita Albert Einstein sob a justificativa de que defende o uso da hidroxicloroquina, combinada à azitromicina, para o tratamento do novo coronavírus em estágio inicial. A OMS (Organização Mundial da Saúde) vetou o medicamento contra a Covid-19 por não ter eficácia cientificamente comprovada.

“Recebi uma ligação hoje [sexta-feira, 10 de julho], do diretor clínico do hospital, me informando que, a partir desse momento, eu não poderia estar exercendo as minhas funções no hospital. Não poderia estar prescrevendo nem atendendo os meus pacientes que já estão internados”, disse Yamaguchi em entrevista ao SBT.

“Eles acreditam que a minha fala, sempre em prol da hidroxicloroquina, que eles consideram que não tenha fundo científico, ‘denigre’ o hospital, porque todo mundo relaciona a minha presença à presença do hospital. E eu sempre tenho colocado que eu não falo pelo hospital. Eu estou lá atendendo os meus pacientes”, prosseguiu a médica, que chegou a ser cotada para o Ministério da Saúde quando o então titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, media forças com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre protocolos de distanciamento social para o controle da pandemia.

“Eu faço a defesa da hidroxicloroquina porque tenho a certeza de que ela cura os pacientes nas fases iniciais. E eu, insistindo que esse remédio pode curar pessoas, estaria indo na contramão daquilo que o hospital, com os seus médicos, com o seu corpo científico, decidiu”, afirmou Nise.

Leia também

A médica ainda citou outra justificativa para seu afastamento. A direção do Albert Einstein, segundo ela, não gostou de sua entrevista à TV Brasil, emissora pública, em que citou o nazismo para criticar o medo da doença.

“Tenho certeza que é um mal-entendido. Eles se referiram também a uma fala que eu teria dito na semana passada que foi interpretada de uma forma errônea. Eu falei que existia uma situação muito grave no mundo com o pânico que foi instalado, com o medo que levava as pessoas a ficarem reféns dos seus algozes.

O medo de ficar doente, porque todo mundo fala que não tem cura, que não tem tratamento, que você vai morrer. Toda noite tem uma série de campanhas para a pessoa ficar cada vez mais amedrontada, achar que vai entrar em um aparelho de respiração imediatamente, e eu estou dizendo para o público que existe tratamento sim, principalmente na fase precoce, que se a pessoa tratar na fase inicial não vai ter a fase grave”, concluiu.

Procurada pelo Yahoo!, a assessoria de imprensa do Hospital Israelita Albert Einstein emitiu a seguinte nota:

“1. O hospital respeita a autonomia inerente ao exercício profissional de todos os médicos, jamais permitindo restrições ou imposições que possam impedir a sua liberdade ou possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho.

2. A Dra. Nise Yamagushi faz parte do corpo clínico do Hospital, sendo admissível que perfilhe entendimento próprio com relação ao atendimento de seus pacientes ou à sua postura em face da pandemia ora combatida, desde que observe as regras relacionadas ao uso da sua condição de integrante do Corpo Clínico em sua comunicação.

3. Trata-se, contudo, de hospital israelita e a Dra. Nise Yamagushi, em entrevista recente, estabeleceu analogia infeliz e infundada entre o pânico provocado pela pandemia e a postura de vítimas do holocausto ao declarar que ‘você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiriam controlar aquela MASSA DE REBANHO de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações, humilhações, humilhações...’.

4. Como se trata de manifestação insólita, o hospital houve por bem averiguar se houve mero despropósito destituído de intuito ofensivo ou manifestação de desapreço motivada por algum conflito. Durante essa averiguação, que deve ser breve, o hospital não esperava que o fato viesse a público.

A expectativa do hospital é a de que o incidente tenha a melhor e mais célere resolução, de modo a arredar dúvidas e remover desconfortos”.