"Médico não abandona o paciente, mas paciente troca de médico", diz Bolsonaro

Bolsonaro cita frase famosa do ministro da Saúde ao comentar sobre a hidroxicloroquina. Foto: Getty Images
  • Bolsonaro abre live dizendo que não falaria do Mandetta, mas cita frase famosa do ministro da Saúde ao comentar sobre a hidroxicloroquina

  • Presidente agradece pelo médico Roberto Kalil por admitir tratamento com o medicamento, ao mesmo tempo em que alfineta David Uip

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) iniciou a sua live semanal no Facebook nesta quinta-feira (9) afirmando que não falaria sobre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e que evitaria polêmicas envolvendo o isolamento social e os governadores de estados.

Acompanhado de Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, Bolsonaro manteve um tom ameno na live, que durou 20 minutos, sem criticar diretamente os governadores ou o ministro da Saúde, com quem entrou em atrito nos últimos dias.

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Ao mesmo tempo, alterou uma frase que ficou famosa ao ser dita por Mandetta, sem se referir diretamente ao ministro, e provocou o médico infectologista David Uip, chefe do Centro de Contigência ao coronavírus em São Paulo, acusando-o de politizar o tema.  

As falas aconteceram no momento em que Bolsonaro falava sobre a hidroxicloroquina, medicamento que tem sido usado, em estágio inicial, para tratar pacientes com a covid-19. Como o remédio tem efeitos colaterais, seu uso para o combate ao coronavírus ainda está sendo debatido pela classe médica.

Bolsonaro agradeceu ao médico Roberto Kalil por ele ter admitido, na quarta-feira (8), que se tratou da covid-19 com a hidroxicloroquina, "diferentemente do colega dele, que é ligado ao governador", disse o presidente, fazendo referência a David Uip e João Doria, governador paulista.

O infectologista, que contraiu a Covid-19, havia sido criticado por Bolsonaro por não divulgar se utilizou ou a cloroquina em seu tratamento pessoal. Em resposta, Uip pediu que o presidente respeitasse seu direito de não revelar o tratamento, além de dizer que a cloroquina deveria continuar sendo usada em pesquisas e em pacientes, desde que houvesse a indicação do médico.

"Eu conversei com ele [Kalil] ontem e ele me deu sinal verde para que eu pudesse inserir no meu pronunciamento à nação esse fato concreto dele. Um médico renomado como o Dr. Kalil, que se medicou com aquilo. E, depois, respeitando o juramento, falou que realmente havia usado a hidroxicloroquina – diferentemente de outro cara, que politizou esse problema", disse Bolsonaro, se referindo a Uip. "Isso aqui não tem que ser politizado, isso aqui é vida."

Segundos antes, Bolsonaro parabenizou o Conselho Regional de Medicina do Amazonas, que indicou que a cloroquina poderia ser aplicada não somente em pacientes com quadro grave, mas também em casos mais leves. Nesse momento, citou a frase dita por Mandetta – que, dias atrás, respondeu que "médico não abandona paciente" quando foi questionado se deixaria o ministério da Saúde por causa dos atritos com Bolsonaro.

"Parabéns ao Conselho, reconheceram que é uma chance, uma oportunidade. E se você pergunta para qualquer um, o cara pode 'dar uma de galo' até agora e falar que não, mas se você, ou seu pai e sua mãe, com uma certa idade ou outra doença, e foi infectado. Você tomaria ou não tomaria?", questionou o presidente.

"Eu também tomaria. Lógico que vai consultar um médico, e com toda certeza o médico vai ser favorável. Tenho certeza disso. O médico não abandona o paciente, mas o paciente troca de médico. Você vai com um médico e ele receita algo que não vai dar certo, o que pode acontecer. Você tem todo o direito de trocar de médico, com todo o respeito aos profissionais. Então eu repito: o médico não abandona o paciente, mas o paciente pode trocar de médico", disse Bolsonaro.  

Presidente evita polêmica sobre isolamento

Na transmissão, Bolsonaro também falou sobre o benefício de R$ 600 que será pago pelo governo federal, por meio da Caixa, a trabalhadores autônomos e informais e comentou os investimentos feitos para o combate ao coronavírus.

"Já ultrapassou os R$ 600 bilhões não só na prevenção do vírus, mas também na luta pela manutenção do emprego. Temos um limite de três ou quatro meses, depois fica complicado. Então espero que voltem as atividades, antes disso até. Por mim, quem tem menos de 40 anos já estaria trabalhando, sem problema nenhum. Mas não quero polemizar. Porque deveríamos, no meu entender, partir para o isolamento vertical, mas não quero entrar nessa área aqui", disse.

"Temos duas doenças: a questão do vírus e a do desemprego, que é um mal terrível também. Para quem mora em comunidade ou bairros pobres, não tem como ficar em casa para trazer o pão para dentro de casa. É complicado. Mas tenho certeza que brevemente isso tudo estará resolvido", declarou.

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