Médico, pai de menina de 7 anos que morreu com Covid comemora anúncio da vacinação infantil

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O médico Rodolfo da Silva e a filha Alícia, que morreu aos 7 anos com Covid-19. (Foto: Reprodução/EPTV)
O médico Rodolfo da Silva e a filha Alícia, que morreu aos 7 anos com Covid-19. (Foto: Reprodução/EPTV)

O médico Rodolfo Aparecido da Silva, pai de Alicia, criança de 7 anos que morreu com Covid-19 em Ribeirão Preto (SP), celebrou a inclusão das crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Vacinação pelo Ministério da Saúde

O caso aconteceu em janeiro do ano passado, após a menina desenvolver uma síndrome rara causada pelo novo coronavírus, e que provocou infecção generalizada no corpo. 

Além de Alícia, o médico também tem outros dois filhos, sendo uma menina de três anos e um menino de 11, que poderá receber as doses da Pfizer.

Rodolfo ainda alertou para o fato de que crianças, muitas vezes, não falam o que estão sentindo e, por isso, a vacina é a maior proteção que os pais podem oferecer.

Em dezembro, após a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para vacinar os mais novos, o pai de Alicia chegou a dizer que já tinha passado da hora de liberar a imunização infantil diante da demora nas ações do Ministério da Saúde.

Na quarta-feira (5), ao anunciar a liberação da imunização para crianças, o Ministério da Saúde recuou e informou que não vai mais exigir receita médica. A autorização por escrito também será dispensada se pais ou responsáveis estiverem presentes na hora da aplicação das doses.

O Ministério da Saúde informou nesta quarta que já encomendou mais de 20 milhões de vacinas pediátricas da Pfizer, quantidade suficiente apenas para a primeira dose.

De acordo com a pasta, o Brasil deve receber 3,7 milhões de doses pediátricas no próximo dia 13. A distribuição do imunizante aos estados começará a ser feita no dia 14, se o cronograma for cumprido.

Bolsonaro diz desconhecer morte de criança por Covid e critica 'tarados por vacina'

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira (6) a autorização de vacinas contra a Covid-19 para crianças entre 5 e 11 anos, questionando "qual o interesse das pessoas taradas por vacina".

Bolsonaro disse que os pais de crianças não devem se deixar levar "propaganda" e afirmou desconhecer casos de óbitos causados pela doença nessa faixa etária — apesar de dados do próprio governo mostraram 301 mortes em decorrência da Covid-19.

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Bolsonaro criticou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pela decisão, mas a medida foi referendada pelo seu governo: o Ministério da Saúde anunciou na quarta-feira, cerca de 20 dias após a decisão da Anvisa, que a imunização deve começar na próxima semana.

"A Anvisa lamentavelmente aprovou a vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade. A minha opinião, quero dar para você aqui: a minha filha de 11 anos não será vacinada. E você tem que ler o que foi feito ontem no Ministério da Saúde, o encaminhamento disso daí, para você decidir se vai vacinar o seu filho de 5 a 11 anos ou não", disse Bolsonaro, em entrevista à Rádio Nova, de Pernambuco.

O presidente disse que as "pessoas taradas por vacina" não estão preocupadas "com outras doenças":

"O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil, que não estão."

Ignorando dados do próprio governo, Bolsonaro questionou se existem mortes de crianças causadas por Covid-19:

"Eu pergunto: você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho. Na minha frente tem umas 10 pessoas aqui, se alguém tem levante o braço. Ninguém levantou o braço na minha frente. Então, converse, vê se é o caso de você vacinar o teu filho ou não. É um direito teu vaciná-lo, está autorizada a vacinação e ela é voluntária."

Dados da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 — vinculada ao Ministério da Saúde — mostram que 2.978 diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid ocorreram em crianças de 5 a 11 anos, com 156 mortes, em 2020.

E em 2021, já foram registrados 3.185 casos nessa faixa etária, com 145 mortes, totalizando 6.163 casos e 301 mortes desde o início da pandemia.

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