Médico que defende tratamento precoce na CPI é investigado no INSS

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Médico Francisco Cardoso foi indicado pelo governo para defender tratamento precoce na CPI da Covid no Senado (foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado)
Médico Francisco Cardoso foi indicado pelo governo para defender tratamento precoce na CPI da Covid no Senado (foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado)
  • Investigado por irregularidades no recebimento de auxílio-doença, médico Francisco Cardoso defende tratamento precoce na CPI da Covid

  • Ele é um apoiador do presidente Jair Bolsonaro e foi indicado pelo governo para depor na comissão

  • Infectologista recebeu auxílio-doença, mas continuou atendendo pacientes no período

Presente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta sexta-feira (18), o médico defensor do “tratamento precoce” contra a covid-19 Francisco Cardoso Alves é investigado pelo INSS e pelo Ministério da Economia por irregularidades no recebimento de auxílio-doença entre 2019 e 2021. A informação foi divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo.

O infectologista foi indicado pelo governo para participar da CPI.

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Cardoso mantém intensa atividade de divulgação de medicamentos comprovadamente sem eficácia contra a covid, inclusive com a participação em encontros com médicos suspeitos de integrarem o gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia.

O médico ficou famoso nas redes sociais ao defender os remédios ineficazes contra a covid, como cloroquina e ivermectina. Além de propagandear protocolos de tratamentos, ele ainda apoia Bolsonaro e tem foto ao lado do presidente.

Médico Francisco Cardoso e presidente Jair Bolsonaro (foto: Reprodução/ Facebook)
Médico Francisco Cardoso e presidente Jair Bolsonaro (foto: Reprodução/ Facebook)

Cardoso é também perito federal e vice-presidente da associação nacional da categoria, a ANMP.

Em 2020, contudo, o infectologista passou o ano afastado do trabalho por sequelas de um problema de saúde neurológico. Documentos obtidos pelo jornal mostram que ele deu entrada no auxílio-doença no INSS na condição de médico autônomo, alegando que sua doença não o permitiria trabalhar no atendimento a doentes.

Mesmo com o salário de perito garantido, o médico teve o primeiro benefício concedido em abril de 2019, com duração de quatro meses. O auxílio, no valor de pouco mais de R$ 5 mil mensais, foi prorrogado por um ano, até setembro de 2020 - prática incomum no INSS, que costuma conceder benefícios por períodos mais curtos e exigir realização de novas perícias para verificar a necessidade de prorrogação.

Com o vencimento do segundo benefício, Cardoso voltou a entrar com a solicitação para que o auxílio fosse renovado, mas, desta vez, teve o pedido negado. Durante o período, continuou recebendo o pagamento até a realização de nova perícia, em 2021. Segundo apuração do Estado de S. Paulo, a servidora que realizou suas duas primeiras perícias ocupava um cargo de gestão e não costumava atender diretamente o público.

O próprio médico admitiu em audiência na Câmara que, durante o período que se dizia incapaz de exercer a profissão, teria atendido pacientes para prescrever o “tratamento precoce”.

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