Médico que filmou caseiro negro acorrentado tem R$ 2,1 milhões bloqueados

Médico foi denunciado por episódio envolvendo caseiro - Foto: Getty Images
Médico foi denunciado por episódio envolvendo caseiro - Foto: Getty Images
  • Médico filmou caseiro negro com pés e mãos acorrentados e falou para ele "ficar na senzala"

  • MP-GO bloqueou as contas do rapaz, que é acusado de racismo e pode ter de pagar pena

  • Defesa do suspeito afirma que tudo não passou de uma brincadeira e que ele pediu desculpas.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) oficializou o bloqueio dos bens do médico que filmou no início do ano seu caseiro, negro, acorrentado. O órgão apresentou denúncia contra Márcio Antônio Souza Júnior.

Segundo a decisão do MP-GO, repercutida pelo G1, o episódio “remonta ao período escravocrata brasileiro, com a objetificação do ser humano em razão da cor da pele, da raça e da condição social”.

Márcio Antônio teve todos os bens analisados e avaliados em mais de R$ 2 milhões. O arresto foi determinado para garantir que o acusado possa quitar possíveis penas definidas futuramente.

“As diligências apontaram que o valor a ser suportado pelo denunciado a título de indenização por danos morais coletivos, penas criminais e custas judiciais poderá chegar a R$ 2.166.312,00”, comunicou o MP-GO.

O arresto foi definido no último dia 6, uma semana após o pedido do MP-GO. Sete imóveis que estavam no nome do médico foram bloqueados.

“O MP-GO busca dimensionar o valor da responsabilidade de Márcio Antônio e requereu a avaliação dos imóveis indicados à hipoteca legal, bloqueados no procedimento de arresto prévio”, explicou o órgão.

Relembre o caso

Márcio Antônio foi denunciado por racismo após filmar e publicar seu caseiro com os pés e mãos acorrentados.

"Falei para estudar, mas não quer. Então vai ficar na minha senzala", diz o médico rindo enquanto filma o homem acorrentado.

Posteriormente, o médico postou outro vídeo, ao lado do funcionário, tentando minimizar o episódio: “O povo enche o saco, tem que trabalhar. Aqui não tem nada de escravidão, é tranquilidade, paz”, afirma.

A defesa de Márcio Antônio defendeu que tudo não passou de uma “brincadeira” e reforçou que o cliente já desculpou-se pelo episódio.

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