Classe médica critica Bolsonaro por postura sobre coronavírus, mas antipetismo persiste

Debora Álvares
Presidente está na mira dos médicos por postura na crise do coronavírus.

Se o segundo turno daquele 28 de outubro de 2018 entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido, ex-PSL) tivesse ocorrido neste domingo, dia 5 de março de 2020, o médico Leonardo Vaz, 25 anos, teria votado novamente no atual presidente da República. 

As recentes e repetidas afirmações do mandatário sobre a crise do coronavírus, no sentido contrário à ciência, mãe da medicina, têm indignado o residente em oftalmologia no Hospital Universitário de Brasília. Não são, contudo, suficientes para romper a imagem deixada pelos anos que o PT governou o País, aliadas às denúncias de corrupção envolvendo o partido, a prisão de seu maior líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a significativa derrocada do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Marcou. 

“O PT é inadmissível. Deu errado várias vezes e o povo demorou a se tocar. Não faria feliz [votar em Bolsonaro], já que teria péssimas opções [de um hipotético voto]”, opinou Leonardo Vaz na última sexta-feira (3), em conversa com o HuffPost.

O médico Leonardo Vaz, 25 anos, votaria em Bolsonaro se o pleito fosse contra o PT, mas é crítico ao discurso atual do presidente sobre coronavírus.

De forma geral, Vaz vê uma gestão que “está funcionando”: “A equipe que o presidente montou tem feito o governo dar mais ou menos certo, na minha opinião. Não é o que ele e os filhos fazem ou deixam de fazer que vale”.

Seu único grande incômodo é a forma como o mandatário está conduzindo a maior crise enfrentada nestes 15 meses de gestão: a pandemia do coronavírus. “Chamar de gripezinha? Tem muita gente que vai morrer. Esse tom do discurso nunca me desceu, nunca me agradou”, desabafou. 

“O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?”, disse Bolsonaro no