Médicos da Prevent Senior falam em pressões para dar 'kit covid' e alta a pacientes

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Foto: Reprodução/Fantástico
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  • Com lucro de quase meio bilhão, empresa visava redução de custos

  • Um dos profissionais precisou registrar BO contra diretor da operadora

  • Prevent impunha regras como atender um paciente a cada 12 minutos

Os médicos George Joppert, Walter Correa e Andressa Joppert, ex-funcionários da operadora de saúde Prevent Senior, que estão entre os 12 autores do dossiê sobre a empresa investigado pela CPI da Covid, falaram pela primeira vez ao público neste domingo (3). Dentre as irregularidades comentadas, estão a prescrição obrigatória do “kit covid” e a pressão para alta de pacientes, com objetivo de diminuir custos.

“A intenção de denunciar também é expor a fraude. Expor a fraude do tratamento precoce, a fraude de suposto sucesso de gestão”, declarou Walter Correa.

“Nós estamos fazendo a coisa certa. Nós não somos criminosos. O bem social acho que tem que prevalecer acima de qualquer outra definição, ou de dinheiro ou de lucro”, disse George Joppert.

“São vidas que eles estão cuidando, e não estão cuidando como deveriam cuidar”, resumiu Andressa Joppert.

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Segundo os médicos, havia pressão por parte da Prevent Senior para receitarem o chamado “kit covid”, que é um pacote com remédios ineficazes contra a covid-19. O kit era distribuído aos pacientes do plano no momento da consulta. Eles afirmam que não havia autonomia para os profissionais.

“Eles estavam de olho em quem prescrevia ou não. Foi uma coisa que eles tinham um controle, então não havia essa autonomia”, contou Walter Correa.

Com 500 mil pacientes e um lucro que chegou a quase meio bilhão de reais em 2020, a empresa não poupou esforços para diminuir o número de clientes que procuram seus hospitais durante a pandemia e, assim, reduzir custos.

Para isso, além da distribuição do “kit covid”, a empresa promoveu procedimentos irregulares, tais como dar alta antes do momento adequado, evitar procedimentos mais caros e pressionar para a liberação de leitos de UTIs nos hospitais administrados por ela.

“Importa é o fluxo, importa é o número, não importa o paciente. Vejo a Prevent como especialista em números e não importam as pessoas”, afirmou o médico Walter Correa.

Outra obrigatoriedade imposta pela operadora aos médicos era a meta de atender 60 pacientes em 12 horas, ou um paciente a cada 12 minutos.

“Infelizmente eles têm essa política, mas felizmente a gente tem essa parte da ética. E a gente sempre tentou fazer conforme a ética. Eu várias vezes levei bronca lá por não cumprir a meta”, relatou Andressa Joppert.

Os médicos afirmam que decidiram integrar a denúncia contra a Prevent Senior para tentar pôr um fim às práticas ilegais. No entanto, desde que a empresa expôs seus nomes, eles têm vivido com medo, apreensão e insegurança.

Ainda mais grave o caso de Walter Correa, que precisou registrar um boletim de ocorrência após receber uma ligação do diretor-executivo da empresa, Pedro Batista Júnior, em abril.

“A minha esposa estava do lado e ficou apavorada com aquilo. Queria até ir embora da cidade. Ficou assustada, temendo pela minha filha, a gente ficou apavorado com aquilo”, relatou.

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