Médicos da USP criam técnica capaz de mudar vida de pacientes que sofreram AVC

Reprodução/EPTV

Cientistas da Universidade de São Paulo (SP) de Ribeirão Preto desenvolveram uma técnica que pode mudar a vida de pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). Nesta semana, a equipe conseguiu remover um coágulo de uma artéria, devolvendo os movimentos de um paciente.

O procedimento consiste em uma espécie de cateterismo cerebral e é capaz de reduzir quase a zero as sequelas do AVC, como paralisias faciais e perda de movimentos de membros do corpo.

Na técnica, os médicos desentopem as artérias do cérebro até 24 horas após o derrame. Após ter sido aplicada em alguns pacientes com sucesso, a Anvisa liberou o método para uso livre em hospitais.

“Com o tratamento endovascular, às vezes, a gente vê respostas dramáticas. Pacientes que ficariam sequelados pelo resto da vida voltam a andar com esse tratamento. Então, é uma alternativa terapêutica muito interessante”, explicou o neurologista Octávio Pontes Neto em entrevista ao portal G1.

De acordo com o neurologista, durante um AVC os neurônios sofrem com a falta de oxigênio, morrendo em uma taxa de 1,9 milhão por minuto. “É como se fosse uma fogueira queimando um canavial e a gente tem que correr, como um bombeiro, tentando apagar o incêndio, tentando abrir a artéria o mais rápido possível para restaurar o fluxo sanguíneo para o cérebro”, conta.

No procedimento, os médicos introduzem um microcateter em uma artéria na perna do paciente, avançando até o local entupido no cérebro. Ao chegar no local, eles aspiram o material encontrado, desobstruindo os vasos.

Ainda de acordo com Neto, o sucesso da cirurgia depende de uma série de fatores, mas ainda assim representa um passo importante no tratamento do AVC.

“Não é qualquer paciente com AVC isquêmico, mas aquele que tem oclusão de uma grande artéria do cérebro, em que a gente não consegue desentupir só com remédio na veia. Então, muitas vezes, além de receber o remédio, vai ser submetido a esse cateterismo”, encerrou.