Médicos de câmara técnica que aconselha Ministério da Saúde ameaçam deixar comissão após suspensão de vacinação de adolescentes

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Uma mulher é vacinada por profissional de saúde
Técnicos do Ministério da Saúde não foram consultados sobre suspensão de vacinação de adolescentes (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Câmara técnica não foi consultada pelo Ministério da Saúde sobre suspensão de vacinação de adolescentes

  • Médicos ameaçam deixar a Câmara Técnica após decisão do ministério

  • Técnicos ainda criticaram postura do ministro Marcelo Queiroga

Técnicos do Ministério da Saúde afirmaram que não foram consultados sobre a decisão da pasta de recomendar a suspensão da vacinação de adolescentes contra a covid-19. Os participantes da Câmara Técnica Assessoria de Imunizações ficaram também surpresos com a postura do ministro Marcelo Queiroga que pediu aos pais para não levarem os filhos para vacinarem.

Em reunião realizada na sexta-feira (17), o grupo inclusive ameaçou deixar a Câmara Técnica caso o ministério não volte atrás na decisão.

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“O mais grave e que mais surpreendeu os presentes foi a postura dos representantes do Ministério da Saúde durante a citada entrevista coletiva, inédita em 48 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações, trazendo a público dúvidas sobre a vacinação. Chamou a atenção orientação do Sr. Ministro aos pais para não levar seus filhos aos postos de vacinação contra a COVID-19. Isso pode gerar um dano difícil de ser reparado não só nesta campanha, mas a todas as vacinas, especialmente em um grupo onde a adesão é mais difícil, como os adolescentes”, diz a nota de resumo da reunião feita pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

O Ministério da Saúde orientou na semana passada a suspensão da vacinação para os adolescentes de 12 a 17 anos alegando que era uma medida cautelar de forma temporária, devido à comunicação de um óbito temporalmente associado à vacina e à identificação de eventos adversos e erros de vacinação.

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Getty Images)
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Getty Images)

O Conselho destaca ainda que não há comprovação de relação entre a morte e a vacinação. O governo de São Paulo divulgou nota afirmando que o óbito da adolescente foi em decorrência de uma doença autoimune.

Os representantes da Câmara Técnica disseram que os motivos apresentados pelo Ministério da Saúde não justificam a suspensão, pois um único caso de evento adverso grave não seria motivo para a interrupção de uma campanha de vacinação, considerando os 3,5 milhões de doses já aplicadas na faixa etária.

“ Os representantes do CONASS e CONASEMS, reforçaram as questões já colocadas, destacando que o Ministério da Saúde não só não levou em conta as orientações da CTAI, mas também tomou a decisão de forma unilateral, sem qualquer consulta ou pactuação com as demais instâncias de gestão do SUS. As críticas relacionadas a supostos erros de vacinação, que na verdade representam 0,75% das 3,5 milhões de doses aplicadas nos adolescentes, desconsideraram o enorme esforço de milhares de trabalhadores do Sistema Único de Saúde, que a quase 9 meses vem trabalhando diariamente na vacinação contra a covid-19”, acrescenta a nota.

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