Medidas anunciadas por Paes mantêm indenifição sobre feriados sugeridos por Claudio Castro para o Rio

O Globo
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RIO - Ao anunciar, na tarde desta segunda-feira, medidas para conter o avanço da Covid-19 na cidade do Rio, o prefeito Eduardo Paes deixou em aberto a possibilidade de antecipar ou não feriados, conforme havia divulgado o governador em exercício Claudio Castro. Na proposta de Castro, o período de 26 de março a 4 de abril seria composto por dez dias de 'feriadão', antecipando as datas em homenagem a Tiradentes e São Jorge - comemoradas em 21 e 23 de abril, respectivamente , que seriam emendadas com a Páscoa.

Já Paes e o prefeito de Niterói, Axel Grael, que divulgaram suas próprias medidas em entrevista coletiva conjunta, optaram por estratégias mais rígidas, com um 'lockdown' nas duas cidades no mesmo período do 'feriadão' sugerido por Castro. Mais cedo, pelo Twitter, Paes intensificou a queda de braço ao chamar a proposta de "CastroFolia, a micareta do governador".

- Vou aguardar o governador para definir a antecipação de feriados. Não faz sentido definir isso se o Castro já vai decretar feriado - afirmou Paes, em um tom um pouco mais baixo, na coletiva com Axel Grael.

Em post nas redes sociais, o médico Daniel Becker, membro do Comitê Científico de Acompanhamento de Ações contra a Covid-19 da Prefeitura do Rio, criticou a intenção de decretar o feriado de dez dias, mas sem a adoção de medidas mais rígidas. Pela proposta de Castro, por exemplo, bares e restaurantes poderiam funcionar com atendimento presencial, enquanto os decretos municipais no Rio e em Niterói vetam a abertura desses estabelecimentos.

"Infelizmente, temos um governador que é negacionista. Ele está propondo um feriadão prolongado com fechamento de escolas, mas abertura de bares e restaurantes. Então, é exatamente o pior erro possível. E que provavelmente daria em um festival de transmissão. Seria um grande carnaval se a gente seguisse essa recomendação do governador. Então, os prefeitos do Rio e de Niterói decidiram por um 'lockdown' mais radical, um 'lockdown' de verdade, diferentemente dessa brincadeira ridícula e nociva que o governador propôs", disparou Becker.