Medo de ataque do PCC para bairro de São Paulo

O medo de um ataque do Primeiro Comando da Capital (PCC) levou moradores de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, a viverem ontem uma quarta-feira atípica. Um boato sobre um suposto toque de recolher imposto em represália a um dos seis mortos pelas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na segunda-feira fechou escolas, creches, postos de saúde, uma unidade de pronto-atendimento e lojas do bairro.

José Carlos Arlindo Júnior, de 35 anos, era morador de Cidade Tiradentes e conhecido como um dos principais criminosos da região. Ele participava na noite de segunda-feira de uma reunião com outros suspeitos em um estacionamento na Penha, zona leste, quando foi morto pela Rota. Segundo a PM, uma denúncia anônima informou que o grupo planejava resgatar um preso no Centro de Detenção Provisória do Belém, também na zona leste.

Segundo moradores, os boatos começaram a circular na noite de anteontem. Supostos integrantes da facção teriam mandado que serviços públicos e comércio fechassem as portas depois do enterro do corpo de Arlindo Júnior, às 11horas de ontem. "Rolou esse papo e desisti de sair com minhas amigas", disse uma atendente de 16 anos.

Nas ruas mais distantes, como a dos Gráficos, Pedreiros e Avenida dos Metalúrgicos, parte dos serviços públicos fechou. As Escolas Municipais Wladimir Herzog e Adoniran Barbosa e algumas creches também tiveram funcionamento prejudicado. "Pego crianças em nove escolas e todas estavam fechadas", disse uma condutora de van escolar de 30 anos.

Fechado

No Pronto-Atendimento Doutora Glória Rodrigues dos Santos Bonfim, as portas de vidro estavam fechadas, apoiadas por cadeiras na parte interna. "Fiquei sabendo que tinha o toque de recolher, mas esperava que aqui estivesse aberto", afirmou uma garçonete de 25 anos que procurou a unidade para tratar uma conjuntivite. Nas ruas, porém, crianças sem aula brincavam à tarde. O transporte também funcionou.

Delegado titular do 54.º DP (Cidade Tiradentes), José Ademar de Souza afirmou que suas equipes fizeram diligências pelo bairro e não encontraram nada que justificasse o temor da população. "Quem fechou foi por conta própria."

Anteontem, a polícia chegou a abordar cerca de 20 suspeitos que estavam reunidos na Rua Edson Danillo Dotto, mas eles negaram que pretendiam promover qualquer toque de recolher.

Segundo Souza, Arlindo Júnior estava intimado a comparecer no dia 5 ao 54.º DP após uma denúncia de que ele e colegas consumiam drogas no condomínio onde vivia.

Execução

O nome do suspeito executado na noite de segunda-feira pela guarnição da Rota onde estavam o sargento Carlos Aurélio Thomaz Nogueira, de 42 anos, o soldado Marcos Aparecido da Silva, de 37, e o cabo Levi Cosme da Silva Júnior, de 34, é Anderson Minhano. Ele tinha passagens por tráfico e receptação. Os policiais foram presos em flagrante, depois que uma testemunha ligou para o 190 e narrou em tempo real a execução, ocorrida em um parque às margens da Rodovia Ayrton Senna.

A Polícia Militar afirmou que não há e não haverá toque de recolher em São Paulo, especialmente na região de Cidade Tiradentes. Segundo a PM, o policiamento em Cidade Tiradentes foi reforçado preventivamente e o que se constatou é que "a ordem pública permanece preservada".