Medo de carro, recuperação, perdão: mãe fala sobre volta do ator mirim Gustavo Corasini à escola, 76 dias após atropelamento

Setenta e seis dias após ter sofrido graves fraturas no braço, na perna e na bacia num acidente, em que também perdeu um dos melhores amigos, o jovem ator Gustavo Corasini, de 12 anos, começa a ver a vida voltar ao normal aos poucos. O menino ficou conhecido em todo o país pelo talento e carisma com que interpretou o personagem Tadeu, na primeira fase da novela Pantanal, da TV Globo. Em agosto, ele e o amigo Eduardo Delfino, de 13 anos, se divertiam na rua, no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo, como costumavam fazer, quando foram atropelados por uma vizinha, de 53 anos, que se confundiu ao operar a marcha do carro automático do filho. Ao invés de engatar a marcha a ré, ela acabou arrancando com o carro em direção a um muro. Eduardo acabou imprensado na parede e não resistiu aos ferimentos; Gustavo, por sua vez, precisou ser levado às pressas ao hospital, onde passaria por cirurgias e ficaria dias internado.

– Podemos dizer que o Gustavo hoje está 70% recuperado, mas continua fazendo fisioterapia, com acompanhamento médico e psicológico. O braço ainda está imobilizado, porque o osso colado ainda não criou o que os médicos chamam de calo ósseo, e ele ainda tem um pouco dificuldade na hora de andar, porque perdeu muita massa durante o período de internação. Mas já está fazendo um trabalho de fortalecimento, além de hidroterapia – conta a mãe, Fernanda Corasini.

Educação e segurança: Como ficam os concursos públicos com a eleição de Lula? E as carreiras policiais?

Traficante internacional: Espanha acusa 'Pablo Escobar brasileiro' de simular própria morte e quer julgá-lo por tráfico

Nesta terça-feira (8), Gustavo foi presencialmente à escola primeira vez desde o dia em que tudo aconteceu. O momento foi de grande emoção na família, que até registrou o momento em fotos. Pouco antes disso, ele também já havia dado o primeiro passo para voltar às telinhas: gravou as primeiras cenas de um novo projeto, que será lançado no Globoplay, chamado de "A Era dos Humanos". Depois de ter interpretado José Loreto na infância, em Pantanal, agora ele fará a versão mais jovem de um personagem vivido por Marcos Palmeira, também colega de cena na novela.

– Hoje ele voltou para a escola, o primeiro dia de aula depois de mais de 70 dias. Até agora, ele vinha estudando e fazendo os trabalhos de casa – comemora Fernanda. – Estamos começando a entrar nos eixos. Nossa vida está começando a voltar. Ontem (segunda-feira, 7), também fez o primeiro trabalho. Um trabalho onde ele já estava aprovado para participar antes do acidente e a produtora optou por não tirá-lo do elenco, decidiu esperá-lo. E ele está super bem, muito feliz. Ficou muito feliz na gravação, que é o que ele gosta de fazer. Teve uma repercussão emocionante da equipe, um carinho que tornou tudo ainda mais bonito. E é um projeto tão bacana, sobre a nossa natureza.

Medo de carro

Fernanda conta que, não apenas fisicamente, como também psicologicamente, o filho vem apresentando melhora. Hoje, já consegue lembrar com alegria dos momentos felizes que viveu com o amigo de infância, Eduardo, que não sobreviveu ao acidente. O trauma, no entanto, permanece vivo. Ele ainda se desespera, por exemplo, ao ver a movimentação de carros.

– O Gustavo, apesar da pouca idade, é muito maduro. Ele sofreu, chorou muito nos primeiros dias, mas temos com a gente que a vida não acaba aqui. E ele entendeu isso. Conversamos muito nesse processo e ele hoje tem esse entendimento de que o Eduardo está em algum lugar melhor que nós, e que ele olha pelo Gustavo e pela família – relata a mãe. – Mas ele ainda tem muito medo de carro. E isso nós percebemos quando estamos na rua. Ontem, mesmo, estávamos saindo do hotel e, quando uma pessoa foi manobrar um carro, vimos que ele entra um pouco em pânico ainda. Mas, em geral, ele está muito bem.

Convicção de que houve 'fatalidade'

Após a morte de Eduardo e as várias fraturas no corpo de Gustavo, a Polícia Civil abriu um inquérito por homicídio e lesão corporal culposos contra a vizinha que, presa em flagrante, pagou uma fiança e passou a responder em liberdade. Nenhuma das duas famílias, no entanto, prestou queixas contra a mulher, que era conhecida na rua. Pelo contrário, Fernanda afirma que, até hoje, há solidariedade também em relação a ela, que convive também com um trauma: de ter tirado a vida de um menino ao se enganar no uso do sistema automático do veículo.

– Eu acredito na fatalidade. Tenho essa convicção, na verdade. Ela foi correndo ajudar num acidente que aconteceu em outro vizinho e acabou se atrapalhando. Acho que precisa ser revista essa questão em relação aos carros automáticos. Um cuidado maior. Porque realmente é uma arma. Pouco tempo depois, aconteceu uma tragédia parecida com outra criança. Na mão de pessoas erradas, acaba se tornando uma arma perigosa, sim. Mas ela (a vizinha) é super solidária. Sempre está ligando, para saber notícias, manda mensagens... e fica feliz a cada ligação que o Gustavo faz para ela. Nós tentamos confortá-la de certa forma. É uma mulher mãe, avó... e de uma família que era conhecida na rua por ser festeira. Hoje, você não vê festas mais como era antes. Foi algo que abalou todo mundo.

Nas redes sociais, ela também publicou uma mensagem aos fãs, contando sobre a evolução do filho após o acidente: