Medo da violência não pode definir voto em outubro, diz diretora de centro de estudos

DANIELLE BRANT
Medo da violência não pode definir voto em outubro, diz diretora de centro de estudos

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Armar a população não é a solução para os problemas de segurança pública brasileiros, e o medo da violência não pode definir o voto dos eleitores, afirmou, nesta quarta-feira (11), Ilona Szabó, colunista da Folha de S.Paulo e cofundadora e diretora executiva do Instituto Igarapé.

A partir da análise de dados, o centro de estudos busca propor soluções para os problemas de segurança pública do Brasil e países do hemisfério sul.

Ilona conversou com a reportagem após participar de um debate que reuniu brasileiros e estrangeiros na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York. 

O tema discutido foi segurança no Brasil e como o tema tem dominado as discussões de pré-candidatos à Presidência faltando cerca de quatro meses para as eleições.

"Há um mito de que a arma é um instrumento de defesa. A arma é um instrumento de ataque", argumenta. Armar "cidadãos de bem" é uma das plataformas do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). 

A popularidade do político, que lidera as pesquisas de intenção de voto em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez com que outros presidenciáveis, como Geraldo Alckmin (PSDB), defendessem a flexibilização do porte de arma no país.

Mas, para Ilona, o foco da discussão está equivocado. "Temos que cobrar que o Estado nos proteja, e não tentar voltar para o Velho Oeste."

Para ela, falta embasamento para quem defende a liberação do porte de armas como solução para a violência. 

"Onde funcionou o que estão propondo? No mundo e no Brasil, a maioria das pesquisas mostra a correlação entre o número de armas em circulação e o aumento de mortes por arma de fogo", diz.

Para combater esse discurso, o centro lança, em setembro, uma campanha com o mote "não deixe que o medo decida seu voto". A ideia é que conscientizar a população sobre todos os fatores envolvidos na segurança pública.

"É para chamar a atenção para as eleições, mas também para que a população tenha um melhor entendimento sobre esse tema. E fazer escolhas não baseadas em medo, que é o mais difícil nesse momento", diz.

Outro objetivo é combater a ideia de um "salvador da pátria" que traria soluções mágicas para o problema. 

"Estamos criando ferramentas para a prevenção ser mais inteligente. No médio e longo prazo, é isso que vai mudar", defende a cofundadora do Igarapé.

Ilona também aposta na renovação política como forma de melhorar o debate sobre segurança pública.

"Vai demandar muitos outros ciclos eleitorais. A gente precisa ter a mudança no sistema político no país", diz. 

Para ela, esse movimento começa em cargos como deputado estadual e federal, antes de chegar a esferas mais elevadas. "Mas tem uma nova geração querendo contribuir para esse debate. Se a gente não exigir nossos direitos e não ajudar nisso, não vai acontecer."