Mega da Virada: prêmio de R$ 300 milhões da loteria pode render R$ 780 mil por mês na poupança

Loteria na Praça Tiradentes, na véspera do sorteio da Mega da Virada, em 2018

RIO — O prêmio recorde da Mega-Sena da Virada, estimado em mais de R$ 300 milhões, pode render uma bolada mensalmente caso o vencedor aplique todo o valor na poupança. Segundo a Caixa Econômica Federal, caso o único ganhador da loteria aplique todo o prêmio nesse tipo de aplicação, poderá receber mais de R$ 780 mil por mês, considerando o rendimento líquido mensal da aplicação, hoje em 0,26%.

Esse tipo de investimento, no entanto, pode não ser o mais vantajoso para o vencedor. Como o rendimento da poupança deve perder para a inflação já no próximo ano, com os juros baixos, quem aplicar na cardeneta deve ter menos recursos a cada mês.

Segundo Fabrizio Gueratto, financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira, o ideal é dividir o dinheiro em diversas aplicações, deixando somente uma parte para gastos imediatos e a grande maioria da fortuna para fundos de investimento, tanto na renda fixa, quanto na variável.

— É claro que com um valor desses, é praticamente impossível não cometer uma loucura e acabar gastando em algum sonho, um carro de luxo, uma viagem, uma casa, etc. Porém o recomendado é não gastar mais do que 10% do valor do prêmio no impulso. Quanto ao resto do dinheiro, para continuar vivendo de renda dessa bolada, o ideal seria diversificar — afirma.

Em um cenário de juros baixos, é preciso que o ganhador fique atento aos investimentos que pretende fazer com o valor do prêmio. Nesse caso, o ganhador poderá obter retorno real negativo – isto é, não conseguir rentabilizar o dinheiro acima da inflação –, se mantiver a maior parte dos recursos em renda fixa. Com isso, outras alternativas surgem para os ganhadores.

— O máximo sugerido para essa categoria (renda fixa) é um percentual de 40%, entre fundos e títulos públicos e de crédito privado – sendo a maior parte pós-fixado. Essa porção irá contemplar a necessidade de dinheiro rápido e o colchão de amortecimento para as oscilações características de mercado — recomenda Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama.

Sandra ressalta, no entanto, que é preciso levar em consideração o perfil do investidor e a lista de sonhos de cada um. Em renda variável, o mínimo recomendado pela casa é 10% em ações e fundos de ações, podendo variar até 30%, de acordo com o perfil do investidor. Um ponto de destaque é a proteção contra eventos inesperados – que ajuda a minimizar as perdas da renda variável.

— A análise começa pela avaliação do perfil, situação financeira e lista de sonhos do ganhador. Nesse caso, a orientação de um planejador financeiro é essencial para a tomada de decisão —  explica.

Outro setor favorecido pelo ambiente de juros baixos são os fundos imobiliários. O restante da quantia pode ser alocado tanto neles como em fundos multimercado ou que investem no exterior, completando assim a recomendação da carteira.

Para Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da FGV, ganhar o prêmio, no entanto, não significa o fim dos problemas financeiros.

— A história mostra que vários ganhadores de prêmios milionários (tanto no Brasil, quanto em outros países) depois de algum tempo enfrentaram dificuldades financeiras. Quer por serem arrojados nos investimentos, não considerando corretamente o risco envolvido, quer por terem sido mal assessorados, quer ainda por terem sido perdulários — lembra.

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