Megaevento com shows e debates marca Dia da Consciência Negra em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma experiência de ampliação de conhecimentos, de transformação de valores, de exaltação e reconhecimento da identidade do povo preto. Esses três pontos podem resumir a intenção do megaevento Expo Internacional Dia da Consciência Negra que abre as portas ao público no sábado (20), no Parque Anhembi, em São Paulo.

Esperando cerca de 5.000 visitantes por dia, a celebração vai de discussões avançadas sobre a participação negra nos inventos tecnológicos, passando por apresentações imagéticas e informativas da cultura e da história do negro no Brasil até chegar ao momento de festa, com shows de Xande de Pilares, Leci Brandão, Black Rio, MC Sofia, Sandra de Sá e Dexter.

Mas o que vai permear as múltiplas faces, manifestações e intenções nos 10 mil metros quadrados da Expo será mesmo a urgente discussão do combate ao racismo estrutural no país.

Para isso, a organização pensou em uma estrutura de impacto, que envolve cinco alamedas temáticas --educação, saúde, mulher negra, cultura e tecnologia/empreendedorismo--, mesas de debate com intelectuais de diversas áreas e países, como o professor Silvio Almeida e o escritor Itamar Vieira Junior, um túnel do tempo e um espaço exclusivo para entreter e educar crianças.

"Falamos de uma luta que pretende engajar todas as pessoas, a do combate ao racismo estrutural. Temos que sensibilizar e educar, mas queremos também que o visitante saia da experiência transformado em relação a seus valores", afirma Adriana Vasconcellos, idealizadora e curadora do evento.

A harmonia por trás das instalações --que não coincidentemente lembram um desfile de Carnaval com grandes esculturas, cores vivas, explorações sensoriais e representações de personalidades-- foi orquestrada com a participação de um carnavalesco, André Rodrigues, que já passou por escolas como Mocidade Alegre, em São Paulo, e Vila Isabel, no Rio.

À frente da iniciativa está a Secretaria Municipal das Relações Exteriores, comandada por Marta Suplicy. Ela avalia que a Expo Internacional irá atingir e atrair a todos, especialmente a população negra, expoente da celebração.

"São Paulo quer ser um farol de combate ao racismo estrutural do Brasil e, para isso, tínhamos de fazer algo de muita visibilidade, colocar de outra forma a narrativa e o debate de recuperação da história brasileira a partir da população negra como protagonista, botando como foco suas lutas por emancipação", afirma Marta.

Ônibus gratuitos sairão de 18 bairros da cidade, a maior parte de regiões periféricas, diretamente para o Anhembi. A entrada do evento também será gratuita. As informações detalhadas estão em https://farolantirracista.sp.gov.br/expo/.

Uma estrutura específica para as crianças, chamada de Quilombinho, com atividades diversas como contação de histórias, pinturas e brincadeiras, também faz parte do evento.

O local replica a exposição principal e irá apresentar aos pequenos valores ligados à cultura africana, além de apresentar personalidades negras expoentes de grandes feitos.

Segundo Adriana Vasconcellos, que é também professora da rede pública, falar sobre ancestralidade negra e história para crianças tem maior efetividade por meio da brincadeira e da interação tecnológica.

"Fizemos um 'escape room' [espaço de desafios] com várias etapas de brincadeiras. A primeira conta com desenhos que tratam da filosofia africana, os adinkras, depois há o momento dos heróis, pessoas que fizeram parte de fatos notáveis, mostrando que o negro não veio de um povo escravizado, mas, sim, de intelectuais também", conta a curadora.

Ao final da aventura, a criança poderá escolher uma roupa de príncipe ou de princesa e terá sua imagem projetada a dez metros de altura, dentro do pavilhão.

"Quem estiver dentro da Expo vai poder ver a imagem da criança projetada. Com isso, falamos sobre pertencimento, perspectiva de vida, autoamor e equidade. Todos terão acesso a uma história que não tiveram conhecimento, tanto a criança negra como a não negra", diz Adriana.

A Expo foi montada com preceitos de inclusão, acessibilidade e rigor sanitário.

Para Marta Suplicy, é momento de o Brasil entender que não há mais espaço para o preconceito no país e que não há mais espaço para opressão do negro.

"As pessoas não querem mais saber de ódio, de violência, de separação. As pessoas querem crescer juntas, se agregar, construir. Todos querem esperança. Temos de sair do mundo mesquinho, que oprime e não deixa realizar seus potenciais devido a cor da pele."

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