Megaplano econômico nos EUA contra o coronavírus, que confina um terço da humanidade

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Grupo de operários limpa estação ferroviária de Wuhan (China) em 24 de março de 2020

Lideranças políticas nos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira um acordo para um megaplano de ajuda econômica contra o coronavírus, que deixa mais de um terço da humanidade em confinamento, depois que a Índia adotou medidas de isolamento.

"O Senado alcançou um acordo bipartidário sobre um pacote de ajuda histórico para enfrentar esta pandemia", de 2 trilhões de dólares, afirmou o senador republicano Mitch McConnell.

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O anúncio deve ter um efeito imediato nos mercados. A Bolsa de Tóquio fechou em alta expressiva de 8% e as praças europeias também operavam em alta.

Desde o primeiro caso nos Estados Unidos em janeiro, a COVID-19 matou 796 pessoas e provocou mais de 55.000 casos no país, de acordo com um balanço da Universidade Johns Hopkins. Quase 40% da população americana está confinada em casa ou prestes a entrar em isolamento, com restrições que variam de um estado para outro.

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O presidente Donald Trump não concorda, no entanto, com um confinamento prolongado. "Temos que voltar ao trabalho muito antes do que as pessoas pensam", declarou ao canal Fox News.

Com o confinamento da Índia, o segundo país mais populoso do mundo com 1,3 bilhão de habitantes, o mundo tem 2,6 bilhões de pessoas isoladas em suas casas, de acordo com um balanço da AFP.

Isto representa mais de um terço da população mundial, que segundo a ONU é de quase 7,8 bilhões de pessoas.

Depois de semanas de incerteza, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para 2021. Uma decisão recebida com alívio, enquanto na Itália, Espanha, França e outros países a pandemia de COVID-19 continua provocando hecatombes diárias.

Drama aumenta na Europa

Nos países mais afetados, os hospitais estão saturados e os profissionais da área da saúde esgotados e expostos ao contágio por falta de máscaras e material de proteção. Os mortos são enterrados ou cremados rapidamente.

"Muitas colegas choram porque algumas pessoas morrem sozinhas, sem encontrar pela última vez sua família, e mal temos tempo para fazer companhia", lamenta Guillén del Barrio, enfermeiro de um hospital de Madri.

A situação na capital espanhola é tão grave que uma pista de gelo foi transformada em um necrotério.

As salas de exposições de Feira de Madri viraram um hospital de campanha de 1.500 leitos e o exército é responsável por desinfetar as casas de repouso, que registraram dezenas de mortes.

Na Itália, o balanço diário continua sendo um pesadelo: na terça-feira morreram 743 pessoas. Mas uma redução no número de contágios desperta esperança entre os cientistas, que atribuem o resultado às medidas de confinamento adotadas no país.

De acordo com um balanço da AFP com base em fontes oficiais, mais de 18.000 pessoas morreram vítimas do vírus e foram registrados mais de 400.000 casos de infecção em 175 países e territórios.

Os números refletem apenas uma parte do número real de infectados: muitos países fazem exames apenas em pacientes que precisam de internação.

Bolsonaro na linha de Trump

Na África, América Latina e Europa, medidas como toque de recolher, confinamentos, fechamento do comércio e restrições do comércio são cada vez mais adotadas. Cientistas consideram que ações drásticas deste tipo são as únicas que podem frear a doença, contra a qual não existe vacina ou tratamento.

A Colômbia iniciou nesta quarta-feira um confinamento geral de 19 dias.

"O confinamento é atualmente a única estratégia verdadeiramente operacional", ressaltou o Conselho Científico da França.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pensa como Trump e comparou as medidas de confinamento e o fechamento do comércio e do serviço público em vários estados e municípios com uma política de "terra arrasada".

"Devemos manter os empregos e preservar o sustento das famílias", disse. "O grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?", questionou.

No Brasil, que até terça-feira tinha 2.201 casos de COVID-19 e 46 mortes, as deficiências do sistema de saúde, a pobreza e as condições insalubres que afetam grande parte população ameaçam agravar a epidemia.

Bolsonaro acusou a imprensa de promover a "histeria" e reiterou que o Brasil tem uma população jovem e um clima quente pouco favoráveis para a propagação do coronavírus.

Na China, as restrições drásticas impostas durante vários meses na província de Hubei, epicentro da pandemia, foram retiradas nesta quarta-feira. O país não detectou nenhum caso de contágio local nas últimas 24 horas, mas registrou 47 infecções "importadas" do exterior.

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