Megarrodízio começa a valer nesta segunda em toda a capital paulista

RENATO FONTES
Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images

O rodízio de veículos ampliado e mais restritivo em São Paulo começa a valer nesta segunda-feira (11). Imposta pela gestão Bruno Covas (PSDB), a medida é para tentar intensificar o distanciamento social em meio a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que no sábado (9) registrou o índice de 50% na cidade de São Paulo. O número considerado ideal é de 70%.

O megarrodízio será válido para todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, durante as 24 horas do dia, e as restrições para circulação abrangem toda a cidade, não apenas o centro expandido como antes. Só haverá exceção no domingo (31), quando o rodízio não será aplicado.

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A restrição funciona assim: nos dias pares, circulam os carros com final da placas pares (0, 2, 4, 6 e 8).

Nos dias ímpares, trafegam veículos com final da placas ímpares (1, 3, 5, 7, e 9). Isso aumenta a restrição de circulação de carros de 20% para 50%, segundo a prefeitura.

Veículos particulares de servidores da segurança pública, funcionários do serviço funerário, profissionais da imprensa e fiscais, além dos profissionais de saúde e de imprensa, entre outros, estão isentos do rodízio. Os profissionais dessas categorias devem fazer o pedido pelo e-mail isencao.covid19@prefeitura.sp.gov.br ou pelo site www.sp156.prefeitura.sp.gov.br. Táxis e motos também estão liberados para circular.

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Para o consultor de mobilidade urbana Flamínio Fishman, essa decisão, porém, pode não ter o efeito desejado. "Com essa medida, a prefeitura estará empurrando boa parte da população que precisa ir às ruas para o transporte público, aumentando a aglomeração e as as chances de contaminação", afirmou.

A prefeitura disse que irá colocar mil ônibus a mais nas ruas da capital e deixará outros 600 preparados para um eventual aumento na demanda de passageiros.

De acordo com o governo do estado de São Paulo, gestão João Doria (PSDB), a frota da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), do Metrô e da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano) será ajustada se houver a necessidade, para que não haja aglomerações.

Para Fishman, a melhor solução para a redução no deslocamento dentro da cidade seria a "utilização de escalonamento de horários e o incentivo na diminuição dos dias de trabalho dos funcionários".

Para o consultor em engenharia urbana Luiz Célio Bottura, será difícil a prefeitura fiscalizar esse rodízio. "Eu repetiria o sistema do rodízio ambiental. Com esse novo modelo, será complicado saber quem realmente pode transitar ou não", disse. "Não há dispositivos eletrônicos em quantidade e não tem agentes suficientes para fazer uma fiscalização adequada", acrescentou.

Infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Munir Akar Ayub também faz críticas. "Precisamos ficar atentos sobre como pessoas que não estão dispensadas do rodízio vão fazer para ir a um hospital. Em hemodiálise, por exemplo, o tratamento pode começar em um dia e acabar em outro", disse.

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