Meio ambiente: Há avanços, mas ainda temos de tratar questões básicas, diz CEO da Klabin

Acabamos de comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, tema que cada vez mais tem importância na vida das pessoas, empresas e governos. Muitas ações estão sendo feitas, é preciso ressaltar, mas outras tantas ainda são necessárias, inclusive em processos que podemos considerar básicos, como o tratamento dos resíduos sólidos.

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A nova política que visa organizar esse assunto no Brasil, efetivada em abril passado, depois de 12 anos em discussão, é uma prova: há avanços importantes, mas na prática ainda há muito o que fazer. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece diretrizes, estratégias e metas para melhorar a gestão nas esferas de reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética. Prevê, entre outros, o fim dos lixões e a recuperação de resíduos (ou reciclagem) para cerca de 50% em 20 anos.

Tudo muito fundamental, que demandará não apenas investimentos, tecnologias e decisões políticas, mas também uma mudança cultural, ensinando a todos a importância econômica e ambiental que a economia circular tem.

Hoje, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 2% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados no país, mesmo patamar visto nos três anos anteriores. E isso apesar de cerca de 70% dos municípios brasileiros terem algum tipo de coleta seletiva, como mostra a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Ou seja, há o instrumento, mas com quase nenhuma eficácia.

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Pior: todo ano são geradas mais de 80 milhões de toneladas de resíduos e cerca de 40% deles vão parar em lugares inadequados, como lixões e aterros controlados, ainda em operação. Além dos problemas ambientais e de saúde, que por si só já causam prejuízos financeiros, são literalmente jogadas fora oportunidades de negócios que a economia circular traz com a reciclagem.

Novos mercados podem ser abertos com essa atividade, criando postos de trabalho, reduzindo custos e despesas vindas da ineficiência e gerando acesso mais universal a serviços de saneamento, melhorando a qualidade de vida da população mais vulnerável sobretudo.

Muitas ações internacionais já mostraram, com resultados concretos, que o custo dessa gestão atrasada de resíduos é de três a cinco vezes mais caro do que o necessário para investimento e custeio de soluções adequadas para o manejo do lixo.

E como tirar isso do papel? Um pontapé pode ser o da educação, mostrar para todos os cidadãos e empresas a importância de separar e coletar corretamente os diferentes tipos de resíduos, facilitando ainda a triagem e o uso econômico desse “lixo”. Tarefa de todos, com ações públicas e privadas.

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Outro caminho pode ser o de incentivo. Quem cuidar e investir em reciclagem pode ter vantagens, como a que recentemente foi criada, o Programa Recicla+, com certificados de reciclagem nacional, que geram créditos para empresas e cooperativas de catadores.

Aliás, maior formalidade e dignidade –como incluir a remuneração ambiental pelo trabalho, e não apenas por volume coletado-- a essa categoria de profissionais também devem fazer parte dessa mudança prática que o país precisa fazer na gestão dos resíduos.

Tecnologia também faz parte dessa receita, e aí o setor privado pode puxar a fila. No campo energético, apenas para ilustrar, pode-se desenvolver mais o biometano neste momento de busca por combustíveis mais sustentáveis. No setor de embalagens, por exemplo, podemos buscar por novos materiais e design que ajudem na reciclagem, estimulando cadeias reversas.

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Não temos como colocar o nosso lixo “lá fora”. Não existe isso porque fazemos parte de um todo num único planeta. O que temos de fazer é entender que esse lixo tem grandes potenciais econômicos, ambientais e sociais.

*Cristiano Teixeira é embaixador pelo Clima da Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas, membro do Business Leaders da COP26 e CEO da Klabin.

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