Meirelles diz que críticas de Guedes são 'frustração e desespero'

Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, rebateu críticas feitas por Paulo Guedes (AP Photo/Natacha Pisarenko)
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, rebateu críticas feitas por Paulo Guedes (AP Photo/Natacha Pisarenko)
  • Meirelles diz que Guedes fracassou na sua função como ministro da Economia;

  • Ex-ministro da Fazenda afirmou que não é possível reduzir Auxílio de R$ 600 para R$ 400;

  • Medida furaria o Teto de Gastos, criado pelo próprio Meirelles.

Ex-ministro da Fazenda durante o governo de Michel Temer (PMDB), Henrique Meirelles afirmou, nesta quinta-feira (27), que as críticas proferidas pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes, não passam de sinais de "frustração e desespero". Meirelles vê acredita que o atual ministro falhou em seu atual mandato, principalmente por não ter conseguido realizar determinadas reformas.

"Paulo Guedes é um ministro que, debaixo do falatório enorme, simplesmente não faz tudo aquilo que anuncia. Não é uma questão de prestar atenção ao que é dito, porque ele mostra incompreensão básica da realidade e, evidentemente, parte para o desespero. Isso mostra o desespero de quem passou a vida inteira esperando um cargo e, de repente, fracassa nessa função", disse em entrevista à CNN Brasil.

Na última quarta-feira, Guedes criticou o Teto de Gastos, medida orçamentária criada por Meirelles para conter os gastos do governo. Para o ministro da Economia, o teto foi criado antes das "paredes", reformas tidas como essenciais para fundamentar a economia brasileira.

Guedes também criticou as recorrentes fala do ex-ministro, de que o governo atual estaria "furando" o Teto de Gastos, mas que em seu próprio apontamento para o próximo ano, Meirelles quer ultrapassar o limite de gastos.

"Criar, primeiro, a excepcionalidade para 2023, aquilo que o mercado chama de waiver (licença temporária das atuais regras fiscais). Criar uma excepcionalidade dizendo o seguinte: 'Em 2023, nós vamos excepcionalmente superar o teto 'em tanto' e cumprir aquilo'", disse Meirelles.

Segundo seus cálculos, manter o Auxílio Brasil em R$ 600, em vez dos R$ 400 planejados para o próximo ano, representaria um custo de R$ 53 bilhões. No entanto, "não é possível chegar para a família que precisa dos R$ 600 para comer e dizer que, a partir de agora, são só R$ 400. Não dá, pelo menos durante um bom tempo, até o país ter condições de criar emprego, renda", disse.