Melania Trump, uma primeira-dama enigmática com estilo próprio

Por Laura BONILLA
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A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, durante visita a museu em Washington, em 24 de abril de 2018

O que Melania Trump quer realmente? Sua visita surpresa a um centro de detenção de crianças migrantes na fronteira com o México semeou confusão e despertou uma polêmica sobre as intenções da atual primeira-dama americana, a mais enigmática de todas.

A visita supostamente visava mostrar que ela se preocupa com os filhos de imigrantes separados dos pais em situação ilegal. Mas gerou uma imensa polêmica também pela roupa escolhida para a ocasião pela ex-modelo eslovena de 48 anos.

Sempre vestida com esmero, geralmente com roupas de estilistas europeus, Melania, uma imigrante que chegou aos Estados Unidos há 20 anos que ainda fala inglês com forte sotaque, poderia ter sido elogiada por optar, desta vez, por uma peça acessível: um casaco de tecido verde oliva da Zara, que custa 39 dólares.

Mas a jaqueta que ela usou ao embarcar e desembarcar do avião que a levou a McAllen, Texas, tinha estampada nas costas uma mensagem em enormes letras brancas: "Eu realmente não me importo. E você?".

A legenda gerou diversas interpretações, embora a porta-voz de Melania tenha assegurado que não havia nenhuma "mensagem oculta".

"Eu me pergunto como as pessoas que a ajudam a se vestir permitiram isso", disse, indignada, Claire Thomas, professora da New York Law School, especialista em migração.

Sua visita à fronteira foi um "circo" e um "espetáculo", disse Thomas à AFP. "Esta é a crise de direitos humanos que seu marido criou e [ela] foi checá-la (...) Não faz sentido para mim".

Outros viram na legenda uma espécie de mensagem da ex-modelo para seu marido, que supostamente teve um relacionamento com uma atriz pornô em 2006, quando Melania tinha acabado de dar à luz seu filho, Barron.

O tema volta e meia aparece na imprensa americana, que, desde a chegada de Trump à Casa Branca, não perdoa uma, enquanto a primeira-dama optou por se proteger em um mutismo distante.

Jeanne Zaino, professora de ciência política do Iona College de Nova York, acredita que Melania queria mostrar sua independência, dizendo à mídia e ao público americano "Não me importa o que vocês pensam".

O próprio Donald Trump declarou no Twitter que a jaqueta era uma mensagem para "a mídia 'fake news'".

- Como Maria Antonieta? -

Melania já tinha provocado polêmica no domingo, quando publicou um raro comunicado contradizendo a política adotada pelo marido, no qual disse que "odeia ver crianças separadas de suas famílias" e que espera que o Congresso aprove um projeto de imigração bipartidário. Também pediu a seu marido para "governar com o coração".

Alguns aplaudiram a mensagem e a viram como uma crítica implícita a Trump.

Melania "teve uma vantagem" sobre o marido neste tema, avaliou Myra Gutin, professora de comunicação da Universidade Rider, em Nova Jersey. "Observou a situação e disse: 'há crianças envolvidas, é preciso tratá-los com amor'", considerou esta especialista em primeiras-damas.

Mas, entre os democratas, muitos denunciaram "a mentira" de Melania, porque ela afirma, como seu marido, que foram eles que iniciaram a política de separação.

Em coluna de opinião no New York Times, Charles Blow qualificou Melania e seu marido de "rei e rainha da crueldade".

E comparou Melania à Maria Antonieta por tuitar que teria adorado tomar chá com a rainha da Espanha para conversar sobre "formas de ter um impacto positivo nas crianças", quando a indignação pelos imigrantes menores de idade separados dos pais na fronteira só faz crescer.

- 'Fascinante' -

Uma pesquisa publicada na terça-feira pela CNN mostrou que sua popularidade caiu a 51%, contra 57% em maio.

Um ano após se mudar da Trump Tower, em Nova York, para a Casa Branca, o enigma sobre Melania persiste.

Recentemente foram muitos os boatos sobre sua saúde e o estado do relacionamento com o marido, sobretudo quando não apareceu em público durante um mês por um suposto problema de saúde "benigno" e sua decisão de não viajar ao G7 no Canadá, nem a Singapura para a histórica cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

Melania "está impondo sua voz, uma vez que não é o simples eco da de seu marido ou da dos republicanos", opinou Zaino.

"Está mais perto das primeiras-damas das séries de TV como 'House of Cards' do que das primeiras-damas tradicionais americanas", afirmou. "É realmente fascinante".