Melasma e outras doenças de pele se agravam durante a pandemia

Maíra Rubim e Regiane Jesus
·4 minuto de leitura

RIO — É cada vez maior o número de pessoas que sentem na pele, literalmente, os efeitos da pandemia de Covid-19. Casos de psoríase e vitiligo se agravaram ou surgiram de março de 2020 para cá. O estresse foi o fator determinante para que isso acontecesse. A acne também se tornou uma queixa mais frequente pós-coronavírus, e o uso prolongado das máscaras é uma das causas do problema. Não é à toa que o dermatologista Paulo Notaroberto, diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio, segue com a sua agenda lotada, apesar de a sua especialidade não estar diretamente ligada à crise sanitária.

No consultório da Tijuca, Notaroberto atende, sobretudo, novos pacientes, já que os antigos podem fazer consultas por chamada de vídeo.

— Só atendo remotamente pacientes de longa data, porque a dermatologia exige que se olhe a lesão. Então, tenho que examinar de forma presencial os pacientes novos. Infelizmente, todas as desordens dermatológicas que pioram com o estresse, como queda de cabelo, dermatite seborreica (caspa), acne, vitiligo e psoríase, estão mais presentes e de forma grave. Ao perceber qualquer alteração, o paciente deve procurar um especialista — diz.

Notaroberto também alerta para o diagnóstico precoce de outras doenças dermatológicas:

— O corpo é um conjunto, não dá para deixar os cuidados de lado por causa da pandemia. Eu continuo fazendo diagnósticos de câncer de pele que, se não tratado precocemente, pode se agravar. A Covid-19 mata, mas outras doenças também.

Melasmas pioram com luz do computador

No último ano, a dermatologista Claudia Camargo, que atende na Freguesia, reparou que em seu consultório houve um aumento da procura por tratamentos que disfarçam o melasma. A doença de pele altera a pigmentação de rosto, colo ou braços e afeta principalmente a autoestima dos pacientes. A maioria ainda é de mulheres, mas homens também se queixam do problema:

— As causas são predisposição genética, alteração hormonal e exposição solar intensa, bem como a luz azul e raios infravermelho, UVA e UVB. Em casa, as pessoas acabam negligenciando o uso do protetor solar e se esquecem de que as luzes do computador, do celular e da televisão, além da luz do ambiente, também queimam.

A especialista afirma que o principal tratamento ainda é o uso de filtro solar e que ele deve ter em sua composição óxidos de zinco e de ferro e dióxido de titânio, que ajudam a refletir a luz do sol. A seus pacientes, ela indica clareadores à base de substâncias como cisteamina, hidroquinona e ácidos retinoico e glicólico, além de tratamentos como peelings e microagulhamento com drug delivery (que injeta medicamentos na pele).

Dermatologista da Rio Arte Estética do Downtown, Bruna Caroline da Silva também notou um aumento nas queixas relacionadas a melasmas desde o início do distanciamento social. E destaca que o estresse pode colaborar.

— Nosso carro-chefe aqui é o laser Spectra, que não aquece a pele e não causa agressão. Pode ser feito até no verão — diz.

A médica Cibele Tamietti, da Clínica Leger, na Barra, explica que o melasma altera o DNA da célula e ainda não tem cura.

— Os pacientes nunca devem se automedicar, porque correm o risco do efeito rebote, que vai piorar a mancha. Recomendo clareadores e medicamentos orais, como antioxidantes e potencializadores do filtro solar — indica.

Cibele também alerta para o cuidado ao entrar em carros e ambientes abafados. Se o paciente estiver ao sol, orienta, deve reaplicar o filtro de duas em duas horas, e, em locais fechados, de três a quatro vezes por dia. O ideal é o uso do filtro com cor, na quantidade de pelo menos uma colher de chá para o rosto e o pescoço. A nutricionista Ana Paula Cony, da Clínica Neurovida, com unidades no Recreio e em Jacarepaguá, frisa que a nutrição tem um papel fundamental na prevenção de melasmas:

— Alimentos com potencial de fotoproteção, antioxidantes e anti-inflamatórios são importantes no combate às manchas.

Dermatologista da Prime Sculp, no Centro Médico do BarraShopping, Valéria Stagi chama atenção para que cerca de 30% das mulheres são afetadas pelo problema e que é preciso controlar e preveninir. Diz que além da gravidez, na menopausa as incomodas manchas podem surgir na pele.

— Por mais que os tratamentos não resolvam para algumas pessoas, estimulo a fazê-los para manter a pele com a aparência de tratada. Não adianta buscar tratamentos super agressivos porque acabam estimulando ainda mais a produção de melanina. Trabalho com o laser, microagulhamento com drug delivery, peeling e ultrassom microfocado. Estimular a produção de colágeno pode ajudar a paciente— explica.

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