Gastos com melhorias em casa aumentam durante a pandemia

Foto: Getty Images

Por Larissa Coldibeli

A permanência das pessoas em casa por causa da pandemia levou a uma maior valorização do conforto no lar. A percepção é de empresários do setor de casa e construção. Na fabricante de piscinas iGUi, que tem mais de 800 lojas no Brasil, a venda de piscinas cresceu 50% em maio, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

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“As pessoas foram obrigadas a ficar em casa numa quarentena sem data para terminar. Isso ressaltou a importância do lazer no lar, principalmente para quem tem crianças, já que a piscina é uma forma de fazer elas gastarem energia”, diz Filipe Sisson, CEO da iGUi. 

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Assim como o resto do comércio, as lojas da rede foram fechadas durante o período de isolamento social, mas as vendas continuaram online. A instalação das piscinas não foi interrompida, já que o setor de construção foi considerado atividade essencial e pôde continuar funcionando. 

No entanto, o investimento em uma piscina pode ser proibitivo para muita gente — os preços começam em R$ 20 mil. Ainda assim, a tendência de pequenos reparos no lar também se deu em outras parcelas da população. 

Classes C e D também investiram no lar

O empresário Marcos Atchabahian, proprietário da rede Village Home Center — com 18 lojas em regiões periféricas na Grande São Paulo — diz que esperava uma retração no comércio, mas foi surpreendido por um grande movimento nas lojas, que são frequentadas, em geral, por consumidores de baixa renda. 

“Imagine alguém em casa, na quarentena, no meio de uma reforma? É necessário concluir de qualquer jeito. Além disso, dentro de casa, as pessoas entenderam que poderiam melhorar o ambiente e deixá-lo mais agradável. É natural que haja o desejo de conforto na residência”, avalia Atchabahian.

Ele afirma que o segmento de decoração teve alta nas vendas, com destaque para as tintas, que venderam 30% mais do que no mesmo período do ano passado. 

Os dados da Village Home Center confirmam o que diz Cláudio Conz, presidente do Sincomaco (Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Material de Construção e de Material Elétrico). 

“Houve aumento na procura por itens de manutenção, decoração e jardinagem”, afirma Conz.

Nem tudo são paredes pintadas

Na Nicon, uma loja de material de construção de grande porte na zona sul de São Paulo, os produtos mais vendidos foram os do tipo “faça você mesmo”, itens que o próprio cliente pode trocar, como lâmpadas, tomadas, torneiras elétricas e chuveiros, segundo o proprietário Hiroshi Shimuta. 

Mesmo com a maior saída desses itens, a empresa não passou ilesa pelo período de isolamento social. O empresário diz que as vendas estão menores do que no ano passado, mas ele está otimista para o pós-pandemia. 

“O consumo vai explodir e será voltado para as casas. As famílias vão repensar as suas prioridades: ao invés de comprar roupas mais caras, vão investir em itens para suas residências. A partir de agora, a higiene será uma prioridade. Novos produtos com este objetivo surgirão, como pisos mais fáceis de limpar, e isso impulsionará reformas”, prevê Shimuta.

Outra empresa que sofreu os impactos da crise é a Multicoisas, rede de utilidades domésticas e itens para reparo. Com 205 lojas, 60% delas foram totalmente paralisadas por estarem em shopping centers ou em cidades com a quarentena rigorosa. 

Nas 40% que continuaram funcionando (30% apenas por comércio eletrônico), houve aumento de 25% na procura de itens das categorias “Cozinha, Lavanderia/Limpeza” e “Organização e Informática”. 

“O motivo está na mudança de hábitos, com mais tempo em casa, família reunida, home office. Com nossos produtos, conseguimos resolver muitas situações do novo dia a dia das pessoas”, declara Jair Tavares, Diretor de Operações da Multicoisas.

Empresas também reformaram

Na Casa do Construtor, rede que faz locação de equipamentos para construção civil, como andaimes, rompedores e betoneiras, o movimento nas 277 lojas demonstrou que o setor corporativo também aproveitou o momento para fazer obras. 

“Em maio tivemos aumento de 30% em contratos referentes à PJ não ligados à construção. Isso é um indicador de que, nesta quarentena, com os espaços físicos fechados, houve investimento na manutenção e reforma das empresas - indústria, comércio, escolas”, analisa Altino Cristofoletti, CEO da Casa do Construtor.

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