Memorial dedicado à história dos terreiros é reinaugurado na Baixada Fluminense

·3 minuto de leitura

Foi reinaugurado neste fim de semana, em São João de Meriti, o Museu Memorial Iyá Davina. Criada em 1997, a instituição foi a primeira dedicada à preservação da memória dos povos de matriz africana no estado do Rio de Janeiro. Seu acervo é composto por mais de 120 itens inventariados, entre objetos sagrados e de uso rotineiro. A coleção inclui fotografias e documentos guardados por Mãe Meninazinha de Oxum, neta de Iyá Davina.

Durante a reabertura do memorial, foi lançado o documentário “Balaio de Omolu”, que remonta aos primórdios da fundação do terreiro da matriarca, na Marambaia, em Nova Iguaçu, até a sua transferência para São Mateus, em São João de Meriti. No filme, ela revive suas lembranças com o grupo de remanescentes daquela época. Para Mãe Meninazinha, reconhecida como uma das principais referências do candomblé no país, esse legado faz parte da história e precisa ser tratado com respeito.

— Ao longo dos anos, procurei seguir os passos de minha avó materna e também minha mãe de santo, para preservar o nosso patrimônio. Eu queria um espaço para contar a nossa história: um museu de memórias e de preservação deste acervo. Um objeto em especial me despertou para esta ideia: o banquinho de madeira da minha avó. A partir daquele objeto, comecei a reunir os outros e percebi que tínhamos uma coleção importante. Na época, parecia maluquice ter um museu num terreiro, mas conseguimos o fato inédito de criar, ainda nos anos 90, um museu dedicado a abrigar uma parte da memória do candomblé a partir da trajetória da nossa família — conta.

A curadoria nesta nova fase do museu é assinada por Marco Antonio Teobaldo, que atenta para a relevância dos artigos já que, além de revelarem suas trajetórias, permitem manter viva a biografia daqueles que os utilizaram. O curador, que também assina a curadoria do Instituto de Pesquisa Pretos Novos, ressalta que o museu contempla a história de como as religiões africanas migraram para a Baixada Fluminense, fincando raízes na região.

— A partir deste acervo inicial guardado ao longo dos anos por Iyá Davina e, posteriormente, com outros itens agregados por Mãe Meninazinha de Oxum, conseguimos construir uma narrativa sobre uma parte do candomblé da Bahia que se deslocou para o Rio de Janeiro no começo do século passado, a organização dos primeiros terreiros e rodas de samba na Região Portuária, o deslocamento dos povos de terreiro para a Baixada Fluminense, e a formação destes núcleos de resistência. É importante destacar a ação visionária de Mãe Meninazinha de Oxum quando fundou o Museu Memorial em homenagem à sua avó biológica, tornando-se referência para outros terreiros, que despertaram para a importância da história que podem contar esses objetos. Atualmente, existe uma infinidade de iniciativas similares, em todo o Brasil, que evitam o apagamento da memória do povo de terreiro e contribuem para que estas histórias não sejam contadas de forma distorcida por outras pessoas — diz ele.

Desde sua criação, o Museu Memorial Iyá Davina recebe a atenção das comunidades tradicionais afro brasileiras das mais variadas partes do país, sendo também um importante e reconhecido polo de estudos frequentado por estudantes e pesquisadores, que tem ali um campo vasto para os estudos das religões de matriz africana e suas origens. Registrada no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a instituição é uma das poucas dedicadas ao tema na região metropolitana.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos