Mendonça será relator de ação para investigar Bolsonaro por compra de imóveis

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, é responsável por ação apresentada por Randolfe Rodrigues para investigar compra de imóveis pela família Bolsonaro com dinheiro vivo (Foto: Andressa óAnholete/Getty Images)
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, é responsável por ação apresentada por Randolfe Rodrigues para investigar compra de imóveis pela família Bolsonaro com dinheiro vivo (Foto: Andressa óAnholete/Getty Images)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, será o relator da ação para investigar as compras de imóveis pela família Bolsonaro em dinheiro vivo. O pedido foi apresentado à Corte pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A informação foi revelada pelo portal Uol.

Ao portal, Randolfe justificou a ação impetrada no STF: “Com o salário legal que a gente recebe, não é possível [enriquecer a política]. Estou há 10 anos em Brasília e não moro em mansão, moro no mesmo apartamento funcional e não comprei mansão. Não tenho carros de R$ 1 milhão, R$ 500 mil, não tenho patrimônio dessa natureza”.

Agora, o pedido do senador está nas mãos de André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e alinhado ao bolsonarismo.

Imóveis em dinheiro vivo

Reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30) revela que desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: Em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

Preocupação da campanha

Os responsáveis pela campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) estão monitorando as reações dos eleitores em relação à revelação de que a família do presidente da República comprou quase metade dos imóveis que tem com dinheiro vivo.

Segundo a jornalista Andréia Sadi, do portal g1, integrantes da campanha entendem que o tema pegou entre a população e, pior, pode prejudicar a maior arma eleitoral de Bolsonaro: imputar a Lula a responsabilidade por escândalos de corrupção.

De acordo com Sadi, assessores bolsonaristas entendem que a reação que o presidente teve até agora foi pouco para conseguir tirar o tema da pauta. Ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro fez pouco caso: “qual é o problema de comprar imóvel com dinheiro vivo?”.