Mendoza é a região vitivinícola mais ameaçada pela natureza do mundo

Por Mariëtte Le Roux
Vinhedos em Vista Flores, província de Mendoza

Os produtores de vinho têm que lidar com geadas, granizo, secas ou incêndios em muitos lugares do mundo, mas em nenhum deles essa tarefa é tão difícil como na província argentina de Mendoza (oeste), que reúne todos estes fenômenos, além de frequentes terremotos.

A região lidera um novo índice de áreas vitivinícolas mais afetadas pelas inclemências da natureza, de acordo com uma pesquisa divulgada na quarta-feira.

"Vemos que Mendoza, na Argentina, que tem sismos, granizo, inundações, a gama completa de perigos naturais (...) é a número um", disse James Deniell, do Instituto Tecnológico de Karslruhe, na Alemanha, que colaborou com o estudo.

Em segundo e terceiro lugares se situam Geórgia e Moldávia, respectivamente, "países que obviamente têm um PIB mais baixo mas nos quais a porcentagem do seu PIB proveniente do vinho é muito alta", declarou.

O noroeste da Eslovênia está na quarta posição, e o vale Yaruqui, no Equador, e a cidade de Nagoya, no Japãom dividem a quinta, segundo o "Global Wine Risk Index", que avalia os riscos na produção de vinho.

O índice foi desenvolvido por uma equipe de geofísicos, geocientistas, meteorologistas e economistas a partir de dados de perdas da indústria vitivinícola devido aos fenômenos naturais desde 1900.

Calcula-se que a indústria contribui diretamente com 330 bilhões de dólares à economia mundial por ano.

Mas "é uma indústria altamente vulnerável", explicou Daniell. Em torno de 10% da produção de vinho anual se perde devido aos riscos naturais, com um prejuízo estimado em cerca de 10 bilhões de dólares.