Menina de 1 ano morre após sofrer maus-tratos durante 9 meses após ser adotada

Louise Queiroga
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Foto: SBS / Reprodução

A morte de uma menina de 1 ano na Coreia do Sul em razão de maus-tratos dos pais adotivos gerou revolta na população. Embora o caso tenha ocorrido em outubro, só ganhou amplitude no último sábado, dia 2, quando a emissora de TV "SBS" divulgou os fatos. O cantor Park Jimin, integrante do grupo BTS, se manifestou no domingo contra o abuso infantil por meio de uma publicação na comunidade de interação com fãs "Weverse", com a hashtag "Jeong-in, desculpe", usada em apoio à vítima. A publicação repercutiu em diversos países e atraiu atenção de internautas para a ocorrência.

Nesta segunda-feira, dia 4, o presidente Moon Jae-in pediu melhor proteção dos menores de idade nos orfanatos e uma supervisão mais eficaz nos procedimentos de adoção.

— Façam todos os esforços para garantir o gerenciamento pós-adoção de crianças — disse o porta-voz Kang Min-seok, segundo a agência de notícias "Yonhap News". — Isso é muito lamentável, e o que não deveria acontecer aconteceu.

De acordo com a imprensa sul-coreana, foram feitas três denúncias de abuso infantil a partir de maio, sem que alguma medida fosse tomada para proteger a criança. O primeiro alerta foi dado por uma funcionária da creche, que observou marcas de agressão na bebê. Em depoimento na Delegacia de Polícia de Yangcheon, os pais alegaram que "provavelmente massagearam a garota com muita força". O caso foi então encerrado, informou o jornal "Korea Joongang Daily".

No mês seguinte, a segunda denúncia indicava que a menina tinha sido deixada dentro de um carro estacionado. Depois, Jeong-in passou a ser mantida em casa, indo à creche apenas seis vezes entre julho e setembro, quando um pediatra relatou indícios de abuso à polícia. Alegando falta de provas, a polícia encerrou a investigação novamente.

Jeong-in morreu após sofrer três paradas cardíacas no dia 13 de outubro de 2020 em um hospital em Mok-dong, no distrito de Yangcheon, com ferimentos pelo corpo, incluindo na região da cabeça, além de múltiplas fraturas. Um funcionário da unidade de saúde relatou suspeitas de abuso infantil à polícia.

A autópsia revelou que a menina, adotada em janeiro, morreu de hemorragia interna grave nos órgãos, que havia sido causada por força externa. A polícia de Yangcheon concluiu que os maus-tratos começaram em fevereiro.

A mãe adotiva, que trabalhava como intérprete, foi indiciada em novembro por homicídio culposo por abuso infantil pelo Gabinete do Promotor do Distrito Sul de Seul, enquanto o pai, que era funcionário de uma emissora, foi indiciado por negligência. O casal, que tem uma filha biológica de 4 anos, chegou a aparecer em um programa do Korea Educational Broadcasting System com as duas meninas para promover a adoção no país.