Menina de 10 anos viajou para Indiana para fazer aborto, confirma polícia de Ohio, nos EUA

A polícia de Ohio confirmou que uma vítima de estupro de 10 anos deixou o estado para interromper sua gravidez, em um caso que chamou a atenção devido à decisão da Suprema Corte dos EUA de anular o direito federal de realizar o aborto, no mês passado.

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A experiência da menina, que teria sido forçada a viajar para o estado de Indiana para interromper a gravidez quando a lei entrou em vigor, foi recentemente mencionada pelo presidente Joe Biden quando ele assinou uma legislação para ajudar as mulheres a terem acesso ao procedimento.

O caso foi criticado pela mídia conservadora e pelo procurador-geral de Ohio, que colocou em dúvida a veracidade da história.

No entanto, Jeffrey Huhn, da polícia de Colombus, Ohio, testemunhou no tribunal nesta quarta-feira que uma menina não identificada fez um aborto na cidade de Indianápolis em 30 de junho, informou o Colombus Dispatch.

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Segundo o jornal, Huhn deu esse depoimento depois que um homem que foi preso na terça-feira pela polícia e confessou ter estuprado a menina. Huhn também disse ao tribunal que amostras de DNA obtidas pela clínica de Indiana seriam evidências contra o suspeito, de 27 anos. Documentos no tribunal do condado de Franklin confirmam que um homem chamado Gerson Fuentes foi indiciado sob a acusação de estuprar uma menina menor de 13 anos.

A história perturbadora, relatada pela primeira vez pelo jornal Indianapolis Star, chamou a atenção internacional e é um caso emblemático em meio ao profundo debate sobre o direito ao aborto nos Estados Unidos.

Biden se referiu à vítima durante uma cerimônia em 8 de julho, quando assinou a legislação para proteger os direitos reprodutivos e instou o Congresso a legislar com base em Roe vs. Wade, a decisão histórica de 1973 que estabeleceu o direito ao aborto em todo o país e foi revertida pela Corte.

— Na semana passada, fui informado de que uma menina de 10 anos foi estuprada em Ohio, aos 10 anos, e foi forçada a viajar para fora do estado de Indiana para pedir a interrupção de sua gravidez — disse Biden. — Imagine ser aquela garotinha.

O procurador-geral de Ohio, Dave Yost, um republicano, sugeriu na segunda-feira na Fox News que o caso era uma invenção, e que não havia nenhuma evidência para apoiar a história. Nesta quarta-feira, após a prisão, ele mudou de ideia, elogiando o Departamento de Polícia de Colombus por "garantir uma confissão e tirar o estuprador das ruas".

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Há atualmente 13 estados onde as leis que proíbem o aborto já entraram em vigor, em alguns até mesmo em casos de incesto ou estupro.

Biden, um democrata e católico fervoroso que defendeu a defesa do direito ao aborto, mostrou sua indignação com as proibições em casos de incesto ou estupro e as descreveu como "extremas". Cerca de 56% dos americanos se opõem a derrubar o Roe v. Wade, segundo uma pesquisa NPR/Marista.

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