Menina de 11 anos violentada pelo padrasto dá à luz no Paraguai

(Arquivo) Bebê dorme em hospital de Catmandu, no dia 26 de maio de 2015

Uma menina paraguaia de 11 anos, cuja gravidez, resultante da violação de seu padrasto, gerou comoção em abril quando as autoridades recusaram que fizesse um aborto, deu à luz nesta quinta-feira, informou à AFP a médica que acompanhou a gravidez.

A menina, que ficou grávida quando tinha 10 anos e que completou 11 em maio, teve uma bebê de 3,5 quilos chamada Milagros em um hospital da capital do Paraguai, onde se recupera "de forma normal", afirmou a médica Dolores Castellanos.

A mãe, de 1,39 metro de altura, pesava 34 kg no início da gestação e teve 37 semanas de gravidez. Ela ficará 72 horas em observação, afirmou Castellanos, chefe da Área Infância e Adolescência do hospital da Cruz Vermelha de Asunción, onde deu à luz por meio de cesárea.

Mario Villalba, diretor do hospital, explicou à imprensa que o parto "foi como qualquer outra cesárea, sem complicações, mas com a diferença de idade".

"A recuperação é como em qualquer outra cirurgia. Depois veremos como ela se comporta como mãe", completou, ao ser questionado sobre se a menina poderá amamentar.

O padrasto da menina, Gilberto Martínez Zárate (42), foi detido e preso na penitenciária de Tacumbú em maio passado, submetido a processo pelo crime de estupro, que contempla apenas de 12 a 15 anos de prisão.

A mãe da menor também foi detida e acusada por "omissão do dever de cuidado", embora tenham lhe concedido liberdade ambulatória para acompanhar sua filha durante a gravidez.

O caso desta menina gerou comoção para além do Paraguai. Especialistas da ONU afirmaram em maio que o governo paraguaio não atuou com a devida diligência para "assegurar o interesse superior da menina antes de descartar tratamentos para salvar a vida dela, inclusive o aborto".

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou sua preocupação pela desproteção das meninas paraguaias que sofrem abusos sexuais.