Morta com tiro de fuzil pelas costas, Ágatha, 8 anos, será enterrada neste domingo

Leo Correa/AP

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Agatha Félix, 8, morava no Complexo do Alemão; ela foi atingida por um tiro de fuzil, pelas costas, durante ação da PM.

  • Nesse sábado, porta-voz da Polícia Militar defendeu a política de segurança adotada pelo Estado.

Será enterrado neste domingo (22), às 16h, no Rio, o corpo da menina Agathá Vitória Sales Félix, 8, morta na madrugada desse sábado (21) por um tiro de fuzil, pelas costas, disparado durante ação da Polícia Militar na comunidade da Maré. A criança estava m uma Kombi, voltando para casa, ao lado da avó.

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O sepultamento será no Cemitério de Inhaúma, zona norte da cidade.

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Nesse sábado (21), o porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Fliess, defendeu a política de segurança adotada pelo Estado. Em entrevista ao "RJTV", da Rede Globo, ele afirmou que os números de homicídios estão em queda. O oficial também lamentou o episódio.

“A Polícia Militar se faz presente na rua para preservar vidas. Quem busca o confronto são os marginais com a convicção de que, caso alguma pessoa inocente seja ferida, essa culpa recairá imediatamente sobre os ombros da Polícia Militar. Não iremos recuar. O governo do estado está no caminho certo”, resumiu.

Segundo o jornal Extra, moradores negaram ter havido confronto na comunidade. Conforme a versão deles, uma policial teria feito um único disparo em direção a um motociclista que não tinha atendido à ordem de parar. Já a Polícia Militar informou que agentes foram atacados por traficantes e revidaram.

Ágatha foi a quinta criança morta por bala perdida este ano no Rio e 57ª desde 2007, de acordo com levantamento da ONG Rio de Paz.

Na calçada em frente ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, para onde a menina chegou a ser levada antes de morrer, seu avô materno, Ailton Félix, se desesperou.

“Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê os policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a família do governador ou a do prefeito ou a dos policiais que está chorando. É a minha. Eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta. Foi a filha de um trabalhador, tá? Ela fala inglês, tem aula de balé, era estudiosa. Ela não vivia na rua, não”, desabafou Ailton. “Mais um na estatística. Vão chegar e dizer que morreu uma criança no confronto. Que confronto? A minha neta estava armada, por acaso, para levar um tiro?”

Durante a semana, a Divisão de Homicídios do Rio fará uma reprodução simulada do assassinato para tentar esclarecer de onde partiu o tiro. Agentes já ouviram parentes no IML (Instituto Médico Legal).

Ontem, moradores do Alemão fizeram uma manifestação em um dos acessos ao complexo pelo fim da violência.

“Esse protesto é pela morte de uma criança que foi alvejada por um policial despreparado, que recebeu a ordem do governador para atirar. E atiraram nas costas de uma criança. Estamos pedindo paz, não criamos nossos filhos para perdê-los numa guerra desproporcional. O governador hoje tem essa política de matar. Vamos resistir por nossos filhos”, afirmou a Extra um morador que pediu para não ser identificado.