Menina de 11 anos estuprada pela 2ª vez queria abortar e ir para escola

Menina parou de ir a escola aos 10 anos de idade, quando descobriu a primeira gestação após estupro (Foto: Getty Images)
Menina parou de ir a escola aos 10 anos de idade, quando descobriu a primeira gestação após estupro (Foto: Getty Images)

A menina de 11 anos que foi vítima novamente de violência sexual e está grávida pela segunda vez queria interromper a gravidez e voltar a estudar, disse a conselheira tutelar Renata Bezerra ao portal g1 nesta segunda-feira (12).

A criança parou de ir a escola aos 10 anos de idade, quando descobriu a primeira gestação após estupro.

De acordo com Renata Bezerra, que acompanhou a primeira gestação da garota, a decisão de não abortar partiu da própria vítima. Mas a conselheira afirmou que dessa vez a menina não queria continuar com a gestação.

“Nessa situação, ela deu o sinal de que queria [o aborto], mas quando chegou em casa, que a mãe ‘bateu o pé’ que não, ela ficou calada, não disse mais nem que sim nem que não”, contou.

Ainda segundo a conselheira tutelar, o pai da vítima havia concordado com a realização do aborto, mas mãe teria de assinar para a realização do procedimento.

O Conselho Tutelar aguarda um parecer do Ministério Público sobre o caso.

Antes de descobrir que estava grávida mais uma vez, a menina se preparava para voltar à escola, revelou Renata.

"Ela estava sonhando em retornar para a sala de aula e recebeu essa notícia de estar grávida novamente. Ela estava fazendo planos para estudar, trabalhar e criar seu primeiro filho.”

Segundo o portal g1, como a menina foi vítima de violência sexual pela segunda vez, familiares e pessoas que integram a rede de proteção à menina, como conselheiros tutelares, psicólogos e agentes da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), serão alvos de investigação para apurar alguma possível negligência desde a primeira gravidez.

O que é abuso sexual infantil?

O código Penal brasileiro prevê que o abuso infantil é todo envolvimento de uma criança em uma atividade sexual na qual ela não compreende. Por não entender a situação, a criança não está apta a se defender e, tampouco, informar consentimento.

O abuso infantil ainda é uma realidade brasileira, e de acordo com dados do Disque 100 em 2019, pelo menos 17 mil denúncias foram feitas.

Vale ressaltar que nem sempre a criança entende a situação, e permanece em silêncio, vindo a comentar sobre o crime apenas na idade adulta.

Se enquadram neste crime as modalidades: pedofilia, violência sexual, abuso sexual e exploração sexual.

Contatos para denunciar abuso sexual infantil:

  • Disque 100

  • Ouvidoria Online

  • Proteja Brasil

Disque 100

Bem como nos casos de homofobia e racismo, as denúncias de abuso infantil podem ser feitas anonimamente por meio do número 100 no telefone. Vale lembrar que todos os relatos são encaminhados para órgãos de investigação competentes.

Ouvidoria Online

Por meio do link: https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/, o usuário pode preencher um formulário que será encaminhado para a central de atendimento do Disque 100.

Proteja Brasil

Trata-se de um aplicativo que pode ser instalado gratuitamente no telefone de um usuário. Por meio de um formulário, o indivíduo pode realizar a denúncia, que também será encaminhada para a mesma central do Disque 100.