Menina de 6 anos morta espancada pela madrasta e mãe era obrigada a ingerir comida estragada, apontam investigações

Redação Notícias
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Gilmara Oliveira de Farias, de 27 anos, com a filha Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6, em foto nas redes sociais (Foto: Reprodução / Facebook)
Gilmara Oliveira de Farias, de 27 anos, com a filha Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6, em foto nas redes sociais (Foto: Reprodução / Facebook)
  • Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de apenas 6 anos, morta após ser agredida e torturada pela mãe e a madastra no Rio de Janeiro

  • As investigações da polícia revelam a rotina de fome, castigos e surras enfrentada pela pequena Ketelen Vitória

  • Gilmara e Brena, que se conheceram pela internet, vão responder por homicídio; elas foram presas horas depois de Ketelen ser levada a um hospital municipal

Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, a menina de 6 anos que foi agredida e torturada pela mãe e a madrasta Porto Real, cidade vizinha de Resende, no Rio de Janeiro, morreu na madrugada do último sábado (24). 

De acordo com o boletim médico do hospital particular onde estava internada, a criança sofreu uma parada cardiorrespiratória por volta das 3h30 e não resistiu. Nesta terça-feira (27), investigações da polícia revelam a rotina de fome, castigos e surras enfrentada pela pequena Ketelen Vitória. 

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A mãe da menina, Gilmara Oliveira de Farias, de 27 anos, e a namorada dela, Brena Luane Barbosa Nunes, de 25, confessaram que a menina foi agredida pelo casal repetidamente no fim de semana anterior ao óbito.

Gilmara e Brena, que se conheceram pela internet, vão responder por homicídio. Elas foram presas horas depois de Ketelen ser levada a um hospital municipal. 

Espacada até desmaiar e obrigada a comer comida estragada

De acordo com o jornal O Globo, a menina foi espancada por quatro vezes, entre o dias 16 e 18 de abril. Numa das ocasiões, foi chicoteada com um cabo de TV e, após levar chutes na barriga, teve a cabeça batida contra uma parede até desmaiar.

Na delegacia, de acordo com o jornal, além de admitirem as agressões contra Ketelen, as duas trocaram acusações sobre quem maltratava mais a vítima, que se alimentava, no máximo, uma ou duas vezes por dia.

Entre os castigos enfrentados rotineiramente pela criança, segundo um dos depoimentos colhidos, estavam a obrigatoriedade de se alimentar com comida estragada e de comer pães mofados

A Policia Civil já descobriu que Ketelen começou a ser surrada, no dia 16, por ter bebido de uma caixa de leite que acabou caindo no chão. 

Segundo Rosângela Nunes, mãe de Brena, que também vivia na casa, a criança tomou o leite porque estava "desesperada de fome", já que se alimentava basicamente de café e farinha.

As agressões

A primeira agressão aconteceu por volta das 19h, quando a menina foi atirada pela madrasta de um barranco de 7 metros, situado atrás da residência da família. Em seu depoimento, Brena alegou ter agido assim a mando de Gilmara. Quatro horas depois, Ketelen foi chicoteada com um fio de tv, pisoteada e jogada contra uma parede.

A mãe da criança culpou a namorada pela surra e admitiu ter participado do episódio com chicotadas e tapas no rosto da menina. Na noite do dia 17, as agressões recomeçaram por volta das 20h. A menina estava no quarto e, como ainda não havia adormecido, foi agredida com chicotadas, chutes e teve a cabeça jogada contra a parede até desmaiar.

Na noite do dia 18, ocorreu a última agressão. Segundo a investigação, Ketelen foi agredida com chutes e socos até sangrar. Gilmara diz que a agressão foi praticada por Brena. Esta, por sua vez, culpou a mãe da criança.

Ketelen foi sepultada no domingo (25)

Na madrugada do dia 19, Rosângela avisou à namorada de Brenda, mãe da menina, que a criança estava passando mal. Ketelen, no entanto, só foi levada para um hospital por volta das 9h. 

Para a polícia, a mãe da menina alegou que sua namorada a trancou no quarto e só abriu a porta após o horário mencionado. Ketelen foi sepultada no domingo, no cemitério municipal de Japeri, na Baixada Fluminense.