Menina morta em Niterói é enterrada sob protesto: 'Nossas crianças não são bandidos'

Carolina Heringer
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Foi enterrada na tarde desta quarta-feira, no cemitério São Francisco Xavier, em Niterói, a menina Ana Clara Machado, de 5 anos, morta na comunidade do Monan Pequeno, em Pendotiba, no mesmo município. A criança foi atingida por um tiro quando brincava na porta de casa. Um policial militar foi preso em flagrante, suspeito de ter sido responsável pelo tiro que matou Ana Clara.

O PM foi preso pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, e transferido nesta quarta-feira para o Batalhão Especial Prisional (BEP), também em Niterói.

De acordo com a Polícia Civil, "houve a comprovação de contradições nas declarações dos policiais militares". Isto, em comparação com as declarações das demais testemunhas e da perícia realizada no local, resultou na prisão em flagrante do agente, informou a corporação. As armas de todos os policiais envolvidos no confronto foram apreendidas para confronto balístico.

Estão sendo feitas ainda diligências para verificar "a existência realmente de confronto no local e quaisquer outros que sirvam para o esclarecimento dos fatos", completou a Polícia Civil.

A Polícia Militar informou, em nota, que "o comando da Corporação instaurou um procedimento apuratório interno para apurar as circunstâncias da ação. Dois fuzis utilizados pelos policiais foram recolhidos pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí para perícia".

Ana Clara brincava na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Pendotiba, com o irmão, quando foi atingida. A Polícia Militar informou que os agentes faziam patrulhamento na Estrada do Monan Pequeno para verificar denúncias de roubos. Os PMs teriam sido surpreendidos por cinco bandidos, que, segundo relatos da equipe, abriram fogo. Houve revide, e o confronto se estendeu ao interior da comunidade.

Os PMs contaram que, quando estavam no ponto mais alto da favela, ouviram gritos de moradores pedindo socorro para uma criança baleada. Em seguida, uma viatura a levou para o hospital. Ana Clara morreu quando recebia atendimento no Hospital estadual Azevedo Lima, no Fonseca, em Niterói.

A mãe da menina, Cristiane da Silva, acusou a PM de ser a responsável pela tragédia. Ela afirmou que ouviu um policial falar para outro "você fez besteira", referindo-se aos dois disparos que atingiram a criança.

— Eles (os PMs) subiram e viram dois meninos sentados, mexendo num celular. Os policiais atiraram. Um dos meninos se rendeu, mas um PM continuou dando tiros. De lá, conseguiu acertar minha filha. O menino continuou falando “sou morador, sou morador”. Eu corri para ver minha filha, que estava no chão. Ele (o policial) foi falar com o menino, e um policial falou para o outro “você fez besteira, você fez besteira” — disse Cristiane ao “RJ TV 2”, da Rede Globo. — Eu gritava para ele socorrer minha filha, que estava com um osso exposto. Fiquei gritando “salva minha filha”, e ele pegou a Ana Clara de qualquer jeito; botamos dentro da viatura. Eu falei “vocês mataram a minha filha, acabaram com a minha vida”.