Meninas podem ter sangramentos iguais ao da menstruação nos primeiros dias de vida, entenda

Apesar de pouco frequente, não é anormal que recém-nascidos do sexo feminino tenham uma 'mini menstruação' durante os primeiros dias de vida. Chamado pelos médicos de sangramento vaginal, é consequência da interrupção da transferência de hormônios maternos, como o estrogênio, no momento do nascimento da criança.

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Assim como a placenta permite a passagem de nutrientes entre mãe e feto, os hormônios também migram para o bebê através do mesmo mecanismo. O sangramento acontece ainda na primeira semana de vida. A professora de neonatologia da UFBA e presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Licia Moreira, afirma que o sangramento é uma consequência da interrupção da transferência de hormônios.

—Às vezes os pais ficam assustados e é natural que fiquem. Quando ocorre o parto, a circulação placentária é interrompida e, evidentemente, a criança não recebe mais essa carga hormonal. Tem crianças que realmente apresentam depois de dois, três dias após parto esse sangramento — explica Licia.

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O sangramento nas recém-nascidas dura em média quatro dias, tem uma coloração amarronzada e acontece em pequena quantidade. Apesar de ser comum, a neonatologista diz que é importante os pais estarem atentos, para se certificarem de que não é algum outro problema.

— Os pais precisam observar se é realmente sangramento vaginal, não é anal. Observar se não foi um machucado ou algo assim — diz.

Diferentes manifestações

A interrupção da transferência de hormônios entre mãe e feto se manifesta também nas mamas dos recém-nascidos através do ingurgitamento mamário — enchimento das mamas com leite. Diferente do sangramento, pode acontecer também no sexo masculino.

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Nessa manifestação, há um aumento no volume das mamas dos bebês, por onde sai um líquido leitoso. Antigamente era conhecido como leite das bruxas, era comum receber recém-nascidos com abcesso mamário, pois as pessoas tentavam espreme-los, para retirar o líquido e acabar com o inchaço. Mas a professora da UFBA adverte que não é preciso fazer nada, apenas esperar.

— Desaparece com o tempo, não precisa fazer absolutamente nada, nem pensar em espremer, fazer compressa nem pensar. Deixa que isso involui e desaparece — afirma.

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Quando acontece, o ingurgitamento mamário o bebê já nasce com as mamas inchadas. É comum que as duas situações — 'mini menstruação' e o inchaço nas mamas — aconteçam paralelamente, mas isso não é uma regra.

Todo recém-nascido deve ir ao pediatra ainda na primeira semana de vida. A ida ao consultório é um momento para tirar dúvidas sobre essas e outras questões que envolvam os bebês. Em caso de algum sintoma diferente do comum, os pais devem falar com o médico.

*Sob supervisão de Adriana Dias Lopes