'Menino Covid', um boneco à imagem de Jesus para conscientizar mexicanos

Natalia CANO
·3 minuto de leitura

Na última celebração da temporada natalina, os mexicanos costumam vestir bonecos lembrando o "menino Jesus", mas este ano, uma versão inspirada nos médicos, tenta conscientizar as pessoas sobre os perigos do coronavírus.

É a festa da Candelária - ou de Nossa Senhora da Luz -, que os católicos celebram no dia 2 de fevereiro para comemorar o dia em que Jesus foi apresentado no templo por seus pais.

Todos os anos a imaginação voa para criar roupas marcantes. E a última moda é o "Menino Covid".

Trata-se de "homenagear os médicos e enfermeiros que estão na linha de frente desta pandemia (...), sensibilizando as pessoas para que compreendam que isto não é um jogo e que estamos passando por uma situação muito difícil", explica à AFP Felipe Garrido, gerente de uma loja no centro histórico da Cidade do México onde são vendidas essas peças.

Uma dezena de figuras de Jesus, quase do tamanho de um recém-nascido, exibem os trajes do "Menino Covid", que vão desde roupas simples de bebê com máscaras até macacões azuis completos com máscaras cirúrgicas, passando pelo clássico jaleco branco e estetoscópio.

Todos carregam o que parece ser uma embalagem de álcool gel em uma das mãos.

Embora o fluxo de clientes seja menor este ano, dezenas de pessoas de todo o país driblam o medo do contágio para comprar roupas nas lojas do centro, a preços de até 220 pesos (10,8 dólares).

“Vim comprar o 'Menino Covid' porque meu pai é médico, está ajudando muitos pacientes com covid-19 e eu estou o protegendo”, diz Aline Villegas, uma fisioterapeuta de 26 anos que segue essa tradição todo ano.

- Aglomerações -

Outros dos trajes mais solicitados são os do Sagrado Coração, San Judas Tadeu e o Menino de Atocha. Nos anos anteriores, os bonecos de Jesus foram vestidos até de jogadores de futebol, gerando críticas da Igreja Católica.

Na loja, o distanciamento social é rigorosamente observado e a entrada de clientes é controlada.

Porém, do lado de fora, uma verdadeira multidão - muitos sem máscaras - continua a visitar o tempo todo algumas ruas do centro histórico, onde a reabertura do comércio foi permitida apesar do vírus não recuar. O avanço já obrigou a suspensão de atividades não essenciais na capital em 18 de dezembro.

O próprio presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, relutante em usar máscara e em suspender suas viagens nacionais, está infectado com o vírus e permanece isolado desde o último domingo.

O Dia de Nossa Senhora da Luz também é motivo de encontros entre familiares e amigos no México.

A tradição indica que quem tirar "o menino" - pequena figura de plástico - na rosca do dia 6 de janeiro, Dia de Reis, deve convidar os demais para comer tamales e atole, pratos a base de milho.

Segundo autoridades da capital e de sua região metropolitana, a mais afetada pelo coronavírus, muitas das infecções que mantêm a ocupação hospitalar em 87% ocorreram nas festas de final de ano.

Devido à emergência de saúde, a Igreja Católica pediu aos fiéis para celebrar as festividades em suas casas.

Com 126 milhões de habitantes, o México registrou mais de 1.806.800 infecções até quarta-feira e ultrapassou 153.600 mortes pela covid-19, o que o coloca como o quarto país mais afetado pela pandemia em números absolutos, atrás dos Estados Unidos, Brasil e Índia.

bur-nc/sem/axm/rs/ic/jc/mvv