Meninos de Belford Roxo: Polícia fará buscas em área onde acusado teria jogado sacos

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A polícia pode ter chegado mais perto de esclarecer o desaparecimento há sete meses de três meninos em Belford Roxo. Um suspeito de envolvimento no crime, que foi denunciado pelo próprio irmão como sendo a pessoa que jogou os corpos das crianças em um rio, prestou depoimento na Delegacia de Homicídios da Baixada (DHBF). Ele não confessou o assassinato, mas admitiu ter jogado de uma ponte, também em Belford Roxo, sacos entregues a ele por traficantes. Segundo a DHBF, as investigações continuam e buscas serão realizadas na possível área onde os corpos das crianças teriam sido levados. Nesta semana, completaram-se sete meses do desaparecimento dos meninos.

O delegado Uriel Alcântara, titular da DHBF, pediu a prisão do homem, mas a Justiça não deferiu o pedido e ele continua em liberdade. Desde 27 de dezembro do ano passado, as famílias de Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11, e Fernando Henrique, de 12, lutam para descobrir o paradeiro dos três.

De acordo com a denúncia feita pelo irmão do suspeito, os meninos teriam sido espancados e mortos a mando do traficante José Carlos dos Prazeres Silva, o Piranha, que tem a prisão decretada por tráfico. O motivo do crime, ainda segundo o denunciante, seria que uma das crianças estaria envolvida no furto de uma gaiola de passarinho. O homem procurou inicialmente o 39º BPM (Belford Roxo) e depois foi encaminhado para a DHBF, onde contou que os corpos foram jogados na localidade conhecida como Ponte de Ferro 38, no bairro Amapá, na divisa dos municípios de Belford Roxo e Duque de Caxias.

O ponto indicado fica em um local ermo, próximo ao Arco Metropolitano, e é considerado como área de desova de cadáveres. No depoimento prestado pelo suspeito, ouvido na DHBF na última quarta-feira, ele afirma que não sabia o que havia no interior dos sacos que foram jogados no rio, próximo à Estrada Manoel de Sá. Ainda não se sabe quando a polícia fará buscas para tentar encontrar os corpos dos garotos desaparecidos e confirmar se realmente foram ou não assassinados. Desde o desaparecimento, as famílias cobram informações da polícia, que pouco descobriu sobre o caso nesse tempo. Ontem, um parente dos meninos disse ainda não ter sido procurado pela polícia e que nada sabia sobre a denúncia feita na última quarta-feira.

— A polícia não nos comunicou nada oficialmente. Ainda continuamos com o mesmo sofrimento de não saber o que aconteceu com os meninos — disse o tio de um dos meninos.

As três crianças foram vistas pela última vez em uma feira do bairro Areia Branca, também em Belford Roxo. Moradores do Morro do Castelar, localidade que tem o comércio de drogas controlado pelo traficante Piranha, os meninos ainda foram flagrados por uma câmera de segurança quando estavam a caminho da feira. Pelo menos duas testemunhas também afirmaram, ao prestar depoimento na DHBF, terem visto os garotos no local.

A polícia trabalha com a hipótese de que os meninos tenham desaparecido logo após sair da feira ou nas proximidades da comunidade em que moravam. Procurada, a Polícia Civil emitiu uma nota sobre caso. Abaixo, segue a íntegra do documento:

“Um homem se apresentou no 39º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Belford Roxo e acusou o próprio irmão por envolvimento no desaparecimento de Lucas Matheus, Alexandre Silva e Fernando Henrique, que teriam sido mortos por traficantes da comunidade Castelar, em Belford Roxo. Após a declaração, o acusado foi detido pela PM e os dois foram ouvidos por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Em depoimento na unidade policial, ele negou as acusações feitas pelo irmão”.

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