Menor comete suicídio após suposta agressão policial durante protestos na Colômbia

·2 minuto de leitura
Manifestação do lado de fora do estádio Romelio Martinez em Barranquilla, Colômbia, antes do início da partida da Copa Libertadores América de Cali contra o Atlético Mineiro em 13 de maio de 2021

Uma jovem de 17 anos cometeu suicídio após ser arrastada e supostamente apalpada por policiais que dispersavam um protesto na Colômbia, denunciou uma rede independente de direitos humanos, desencadeando novas manifestações contra a força pública.

Na noite de quarta-feira, a menor foi levada à promotoria por agentes que enfrentavam manifestantes na cidade de Popayán, no sudoeste do país. Em um vídeo que viralizou, a jovem aparece gritando enquanto suas mãos e pés são imobilizados e ela é carregada para o local.

De acordo com a Comissão de Direitos Humanos e Garantias, que acompanha os protestos que pressionam o governo há duas semanas, a menor disse que "a espancaram" e que tinha "lacerações nas mãos". No vídeo, a jovem grita "me solta que você está me despindo, seu idiota".

Na quinta-feira, a menina suicidou-se "enquanto estava sozinha em casa". Antes de tirar a própria vida, ela disse à avó "que seu estômago doía e ela tinha sido apalpada", acrescentou a organização.

No comunicado, a rede de direitos humanos também cita uma publicação supostamente escrita pela menor na qual denuncia que ela foi detida por algumas horas por registrar o confronto entre policiais e manifestantes. “Eles baixaram minhas calças e me apalparam até a alma”, diz ela.

Dezenas de pessoas se manifestaram nesta sexta-feira em frente à sede da polícia em Popayán em repúdio ao suposto ataque.

A polícia, que negou os abusos durante a detenção, anunciou a suspensão de quatro agentes envolvidos no caso, para que "possam assumir diretamente sua defesa", disse o general Ricardo Alarcón.

Em 16 dias de protestos, 42 pessoas morreram, 41 civis e um agente, segundo a Defensoria.

O Ministério da Defesa, responsável pela polícia, contabiliza mais de 1.500 feridos entre manifestantes e agentes.

A Colômbia vive uma crise social devido ao agravamento da pandemia e à repressão aos protestos contra o governo, que tenta amenizar o descontentamento por meio de negociações com os organizadores que exigem um Estado mais solidário e uma sociedade menos desigual.

dl/vel/gma/jc/mvv